30/05/2024
O Brasil está passando por uma mudança significativa em sua matriz elétrica, com a energia hidrelétrica perdendo espaço para fontes como eólica e solar, mais baratas e atraentes para investimentos. Atualmente, a energia hidráulica representa 53% da capacidade instalada do país, mas essa fatia deve cair para 42% nos próximos sete anos.
Essa transição tem impactado a geração de energia, levando às vezes as hidrelétricas a desperdiçarem água, que verte sem produzir energia. No ano passado, as hidrelétricas brasileiras deixaram de produzir 16 gigawatts em um mês, cerca de 21% da demanda total.
A diversificação da matriz elétrica brasileira inclui agora pelo menos dez fontes, sendo seis renováveis. As energias eólica e solar, em particular, têm crescido significativamente e representam atualmente 11,5% e 11,8% da capacidade total, respectivamente.
Apesar de a energia hidrelétrica emitir menos CO2 que outras fontes, como o carvão, sua flexibilidade é essencial para o sistema elétrico. No entanto, o Brasil ainda não possui capacidade de armazenamento em larga escala para as energias eólica e solar, o que pode levar as hidrelétricas a serem usadas para reduzir a produção em momentos de baixa demanda, escoando água que poderia ser usada para gerar energia.
Para enfrentar esse desafio, especialistas sugerem investimentos em armazenamento de energia, como baterias, e a modernização das atuais hidrelétricas. Enquanto a China lidera os investimentos em hidrelétricas reversíveis, o Brasil enfrenta desafios ambientais e logísticos para construir novas usinas. A modernização das hidrelétricas existentes é vista como uma oportunidade, mas os custos e o retorno financeiro dessas operações ainda são incertos.
Apesar da mudança na matriz energética, as hidrelétricas são consideradas fundamentais para a transição energética, pois possibilitaram a inserção das energias eólica e solar.
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