04/06/2026
Para mim, a principal percepção da Semana de Design de Milão não foi sobre uma tendência isolada.
Foi sobre a volta da personalidade.
Depois de anos vendo muitos ambientes caminharem para uma neutralidade quase absoluta, encontrei lugares cheios de cor, textura, memória e identidade.
Tapetes deixaram de ser complemento e passaram a conduzir a composição. A iluminação apareceu como peça escultórica. Vidros ganharam formas, relevos e imperfeições. Rochas naturais surgiram com desenhos marcantes. Móveis vintage dividiram o mesmo ambiente com peças contemporâneas sem qualquer conflito.
As cores também voltaram sem pedir licença. Verdes, vinhos, rosas, azuis, amarelos e tons terrosos apareciam combinados de forma ousada e, ao mesmo tempo, muito equilibrada.
Outra observação que me chamou atenção foi a valorização dos materiais naturais. Madeira, couro, fibras, pedras e acabamentos que revelam sua própria matéria continuaram ocupando lugar central.
Saí de Milão com a sensação de que estamos vivendo um momento menos preocupado em seguir fórmulas e mais interessado em construir lugares com identidade, emoção e verdade.
E talvez essa tenha sido a maior tendência de todas.