Ad Bio Admiradores da biologia (Ad-Bio). Page do biólogo Gerbson V. Nascimento (e amigos) e visa apresentar curiosidades sobre a biologia.
(1)

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06/01/2026

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“SE A EVOLUÇÃO É VERDADEIRA, NÓS DEVEMOS TER LIXO NO DNA”. AFIRMA EBERLIN.
É VERDADE?

Recentemente houve um debate tipo criacionismo X evolucionismo entre o Dr. Marcos Eberlin e o engenheiro Francisco Quiumento. A exatos 19:50 minutos, Eberlin afirma: “Se a evolução é verdadeira, nós devemos ter lixo no DNA” e depois completa afirmando que “um design, meu design não colocaria lixo no DNA [...]. Meu design é perfeito ele não coloca lixo no seu programa”.

Minha maior oposição ao Movimento do Design Inteligente (MDI) é em primeiro lugar por ele não ser científico e em segundo, com a mesma força que o primeiro é que, seus adeptos, mesmo os que fazem parte da ciência, desmerecem, desacreditam e falam mal dos trabalhos sérios de outros colegas cientistas o que é muito lamentável. Na ciência, é claro, sempre há certas disputas e trocas de “elogios” nada agradáveis, mas, normalmente quem o faz, são cientistas da mesma área e não de áreas completamente diferentes como é o caso de um químico desmerecer o trabalho paleontológico, da biologia comparada ou genética. Ver isso em meu país me entristece muito.

Mas afinal, que história é essa de DNA-lixo?

Já faz um bom tempo que se descobriu que, “dos 3 bilhões de nucleotídeos em nosso genoma, apenas 90 milhões parecem fazer parte dos nossos 100 mil genes”, como afirma N. Angier (isso, é claro, antes do Projeto Genoma Humano mostrar o verdadeiro número de nossos genes). A esse material aparentemente sem função, já que não é lido, deu-se o nome grotesco de DNA-lixo.

E como f**a a evolução nesse caso?

Richard Dawkins há muito tempo escreveu: “[...] há muito DNA-lixo que, além de não ser lido, não faria sentido se fosse”. Dawkins diz isso, em partes porque há imensos trecho em nosso DNA com repetições de uma única base o que é diferente do “DNA-lixo” que se pensava não ser lido e por isso inútil, essa repetição da mesma base nunca é codif**ada e, como explica Dawkins “[...] presumivelmente nunca teve nenhuma utilidade”. Mas não é nisso que quero me focar. A grande verdade, embora não seja surpresa, é que Eberlin está errado nessa questão. Há realmente informação genética em nós que não é lida (codif**ada) prova disso é o que o trabalho dos cientistas Linda Buck e Richard Axel descobriram, ou seja, que 3% de nosso genoma é dedicado a genes para detectar odores diferentes. Isso não é surpresa, já que os mamíferos em geral dedicam muito genes ao olfato. Só que, nas palavras de Niel Shubin: “Quando observaram a estrutura dos genes humanos mais detalhadamente, os geneticistas se viram diante de uma grande surpresa: trezentos desses três mil genes f**aram totalmente sem função devido a mutações que alteraram irreparavelmente suas estruturas” e só para esclarecer, outros mamíferos fazem uso desses genes sem função em nós.

Quando analisamos os golfinhos e baleias, a coisa f**a ainda mais interessante. Eles, como você sabe, são mamíferos e como os demais, possui genes para odores do ar e não da água como os peixes. Só que esses animais não utilizam suas narinas para sentir cheiro, esses órgãos mudaram e hoje são utilizados como espiráculos utilizados para respirar e para surpresa de todos, todos os genes de odor deles estão inativos. E a coisa não para aí, as pandas gigantes, não apenas tem sistema digestivo de carnívoros, mas também tem genes com informação para produzir enzimas que digerem carne, só que estão inativos. Como podemos ver, a genética demonstra a evolução e não o contrário como fez crer Marcos Eberlin.

E para finalizar, gostaria que o leitor frisasse em sua mente o seguinte, nós aceitamos a evolução, pelo que sabemos e não pelo que não sabemos. A muito ainda a descobrir, mas, o que sabemos até o presente, confirma a evolução.

Por: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

Referências bibliográf**as:

ANGIER, N. A beleza da fera; novas formas de ver a natureza da vida. Rio de Janeiro: Roco 1998.

COLLEN, A. 10% humanos. Como os micro-organismos são a chave para a saúde do corpo e da mente. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

DAWKINS. R. Desvendando o arco-íris ciência, ilusão e encantamento. 1ª reimpressão. São Paulo: Companhia das letras, 2000.

SHUBIN, N. A história de quando erámos peixe; uma revolucionária teoria sobre a origem do corpo humano. Rio de Janeiro. ELSEVIER, 2008.

Imagem: Animação de molécula de DNA.
Disponível em:.Acesso em:30. JAN. 2021.

É VERDADE QUE A AUSÊNCIA DE COMEDORES DE ÁRVORES PODE DIMINUIR O NÚMERO DE ÁRVORES AO INVÉS DE AUMENTAR?R: Verdade. Em u...
02/01/2026

É VERDADE QUE A AUSÊNCIA DE COMEDORES DE ÁRVORES PODE DIMINUIR O NÚMERO DE ÁRVORES AO INVÉS DE AUMENTAR?

R: Verdade. Em um estudo na Savana, quando acácias foram cercadas para impossibilitar a presença de herbívoros, como girafas e elefantes, o números das árvores diminuiu.
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Nossa espécie sabe um bocado de coisa, muito mais que qualquer outra espécie que compartilha a biosfera conosco, no entanto, o que não sabemos, supera enormemente tudo o que sabemos e os cientistas sabem disso[1]!

O físico Laurence M. Krauss[2] afirma que 99% de nosso universo é constituído pelo invisível (matéria escuro) que desconhecemos e o também físico Marcelo Gleiser[3] afirma que: “[...] nossa visão da realidade será sempre incompleta”. Os biólogos não pensam diferente. Fernando Reinach[1] afirma que “[...] A realidade é muito mais intrincada do que imaginamos”.

Uma prova do quanto sabemos pouco sobre a realidade veio de um estudo conduzido com acácias na Savana, quando uma área com essas árvores foi cercada, impedindo que herbívoros de grande porte, como as girafas e os elefantes, tivessem acesso.

O que se esperava é que as árvores longe da “agressão” dos herbívoros tivessem um desenvolvimento melhor, mais rápido e mais saudável que as demais. Mas, a realidade não é o que parece e sabemos pouco sobre ela e o resultado foi que essas árvores isoladas dos herbívoros por quase duas décadas, não se desenvolveram melhor, mais rápido e nem mais saudável que as demais. Mas, por qual motivo?

Acontece que na presença dos herbívoros, as acácias liberam seiva como um processo natural da agressão. Essa seiva serve de alimentos para formigas que vivem nos espinhos ocos da planta sem lhe causar mal e defendendo a árvores de toda espécie de invasores. Sem a agressão, não há liberação de seiva e sem seiva, não há formigas morando e defendendo a árvore que, em consequência, sofre agressão maior de outros insetos que cortam suas folhas, perfuram seu troco fragilizando-a ao desenvolvimento de doenças e infecções.

Percebeu como sabemos pouco sobre a realidade de nosso mundo?
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Por: Gerbson Vieira do Nascimento.

Referências Bibliográf**as
1- REINACH. F. A longa macha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta terra. 1ª ed. São Paulo: Companhia das letras, 2010.
2-
3- GLEISER, MARCELO. Criação imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.

Imagem: Formigas em acácia. Disponível em: . Acesso em; 01/01/2026.

Relembrando escritos anteriores. PParaquem pensa que toda vida depende, exclusivamente, do sol.
06/09/2025

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HÁ SERES VIVOS QUE NÃO DEPENDEM DO SOL?

Quando li pela primeira vez a frase “O ingrediente básico para o amor ao estudo é o mesmo do amor romântico, ou do amor pelo país, ou por Deus”, fiquei maravilhado, afinal de contas, eu amo o estudo. A frase foi escrita pelo biólogo Edward O. Wilson e eu não discordo em nenhum ponto dela. O estudo é algo apaixonante e quem começa a amá-lo descobre que o mundo que nos rodeia é mais rico que as férteis mentes dos escritores de ficção.

Desde muito cedo ouvi que sem o sol não haveria vida em nossa terra. Isso foi tido como verdade durante muitos anos, mas hoje já não é mais uma verdade. O amor ao estudo levou alguns cientistas a descobrirem seres que não dependem, como nós, de nossa estrela mais próxima. E. O. Wilson afirma que “bem debaixo de nossos pés, estendendo-se por pouco mais de 3 quilômetros, há um outro mundo, que em alguns aspectos é muito maior”. Entre esses seres, um grupo bem diversif**ado recebeu o nome de Slimes (sigla em inglês de “sistema microbiano litoautotróficos subterrâneos”).

Há muito ainda a ser estudado sobre esses seres, mas para propósito de nosso texto, creio que a análise do nome já é suficiente. Como esclarecido acima, Slimes signif**a sistema microbiano litoautotróficos subterrâneos: Bem, por SISTEMA nós entendemos um conjunto de elementos que nesse caso são MICRÓBIOS (sistema microbiano) seres minúsculos apenas visíveis a luz do microscópio; LITO, como você deve lembra se refere a pedra e AUTOTRÓFICOS, que consegue produzir o próprio alimento. Ou seja, esses seres conseguem retirar energia para produzir seu alimento dos minerais que os rodeiam, como nos assegura Wilson, que escreve “eles não dependem da energia solar nem da matéria orgânica retirada da superfície da terra, mas sim de energia química derivada de maneira independente (autotróf**a) dos minerais que os rodeiam (daí a palavra lito, “pedra”) ”. E subterrâneo, ora, que vivem debaixo da terra.

É algo incrível. Mas sabe o que isso signif**a?

Signif**a, por um lado, que se a superfície de nosso planeta for devastada, torrada e se tornar impropria para a vida que hoje abriga, ainda assim a vida que há por baixo dela prosseguirá, e em bilhões de anos futuros, poderá evoluir e encher novamente todo o planeta. Por outro lado, a busca de vida fora da terra, ganha novo estímulo, ela poderá ser encontrada não na superfície dos planetas, mas no subterrâneo e por último, signif**a que a biosfera (esfera da vida) é bem mais ampla e diversa, que imaginávamos. Claro que essa descoberta signif**a muitas outras coisas, mas as principais, creio que foram citadas.

Charles Darwin na primeira edição de seu livro mais conhecido, afirmou “Uma luz foi lançada sobre a origem do homem e sua história” e, na sexta edição do mesmo livro, mudou um pouco a frase afirmando que “Muita luz será lançada sobre a origem do homem e sua história”. Crio que Darwin percebeu que o estudo de sua teoria, levaria o homem a descobrir muito sobre sua história que, aliás, não deixa de ser, de certa forma, a história da vida. Agora com a descoberta dos Slimes, me pergunto, quanto luz ainda será lançada sobre nossa história?

Referências e bibliografias:

DARWIN, C. A origem das espécies. 1ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2014.

WILSON, E. O. A criação; como salvar a vida na terra. São Paulo: Companhia das letras, 2008.

IMAGEM: Fósseis de micróbios.

Disponível em:. Acesso em: 07. ABR. 2019.

Autor do Texto: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

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09/08/2025

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COMO OS ESCORPIÕES SE ALIMENTAM?

Escorpiões são aracnídeos extremamente bem-sucedidos e, ser bem-sucedido em biologia signif**a que obtiveram sucesso na alimentação e na reprodução. Se eles não tivessem sucesso em algum desses fatores, não estariam na terra a tanto tempo e sendo verdadeiros “fósseis vivos”. Lembremos que os escorpiões, como escreveu Natalie Angier: “[...] pouco mudaram desde o siluriano, 400 milhões de anos atrás, quando eles foram pioneiros na mudança quântica do mar para a terra” e que hoje, ainda segundo Angier, “[...] 1500 espécies ocupam cada nicho e buraquinho ecológico”.

Todo esse tempo no mundo, fez com que os escorpiões se diversif**assem. Ou, como escreveu a bióloga pesquisadora Anne Sverdrup-thygeson: “A natureza teve bilhões de anos para refinar suas soluções, e a evolução trouxe inúmeras estruturas e funções inteligentes” e hoje encontramos escorpiões cegos vivendo a 800 metros de profundidade em cavernas escuras; outros são minúsculos e vivem se escondendo na coroa “espinhada” do abacaxi; outros preferem os 4600 metros de altura do Himalaia e há até aqueles com comportamento social, como os encontrados na costa do Marfim na África. E o mais surpreendente é que eles vivem de 15 a 25 anos, superando todos os insetos e outros aracnídeos.

Bem, mas se todo esse sucesso é resultado de bons resultados na alimentação e reprodução, como eles se alimentam e se reproduzem?

Antes de mais nada, deixe-me esclarecer uma coisa: quando digo que ser bem-sucedido em biologia signif**a ter sucesso na reprodução e alimentação, não se deve levar isso ao “pé da letra” e esperar que seja assim sempre e com qualquer ser em qualquer época e em qualquer situação. A realidade não funciona assim e no tocante a vida e ainda mais a vida que se desloca, fatores como “sorte” e “acaso”, sempre irão interferir. Então o que podemos fazer é simplesmente dizer que geralmente ser bem-sucedido em biologia signif**a ter sucesso na alimentação e reprodução.

A reprodução dos escorpiões já foi explicada no texto “É VERDADE QUE HÁ ANIMAIS QUE COLOCAM O ESPERMATOZOIDES NO CHÃO PARA FÊMEA PEGAR? ” Onde ficou claro que o macho as vezes é devorado pela fêmea que nutrida tem energia para então passar aos ovos que estão se desenvolvendo dentro dela longe dos perigos do mundo externo. Ao eclodirem os escorpiões f**am encima do corpo da mãe até a primeira ecdise quando já estão maiores e com exoesqueleto mais enrijecido. Percebam que houve um considerável gosto de tempo e energia por parte da mãe.

Quanto a alimentação, eles se alimentam como as aranhas: dominam suas presas e lançam sobre elas enzimas digestórias que a liquefaz transformando-as em um caldo nutritivo que eles então sugam. Ou seja: “os escorpiões digerem suas presas antes de consumi-las” como escreveu Angier. E algumas espécies chegam a ser canibais, alimentando-se de seus rivais de mesma espécie. Contudo não é só isso, o verdadeiro sucesso desses aracnídeos nessa questão é que eles possuem um metabolismo muito baixo e podem f**ar por cerca de um ano sem se alimentar.

Referências bibliográf**as:

ANGIER, N. A beleza da fera; novas formas de ver a natureza da vida. Rio de Janeiro: Roco 1998.

ATTENBOROUGH D. A vida na terra. 1ª ed. Brasília. Martins Fontes; 1981.

SVERDRUP-THGESON. A. Planeta dos insetos.1ª ed. São Paulo: Matrix, 2019.

Imagem: Escorpião se alimentando
Disponível em:.Acesso em:27. OUT. 2020.

Texto: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

É VERDADE QUE PEIXES PODEM SER CONGELADOS E CONTINUAREM VIVOS?R- Verdade! Nas regiões mais ao norte da terra, durante o ...
26/06/2025

É VERDADE QUE PEIXES PODEM SER CONGELADOS E CONTINUAREM VIVOS?

R- Verdade! Nas regiões mais ao norte da terra, durante o inverno, peixes, sapos e outros animais, podem ser vistos totalmente congelados e, contudo, na primavera, despertam como se nada houvesse acontecido.
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Douto, Machado de Assis[1], valendo-se de Brás Cubas, disse que a vida era o mais engenhoso dos fenômenos. Dou-lhe total razão, pois “[...] O fenômeno da vida é mais extraordinário que todos esses outros reunidos” [2]. Também estou em acordo com Marcelo Gleiser [3] quando este escreveu: “a natureza é muito mais criativa que nós” e com “natureza” ele se referia, é claro, a vida. Essa mesma natureza, citada por Gleiser “[..] está sempre à frente da ciência” [4] e não é para menos: “a terra é um laboratório no qual a natureza colocou diante de nós os resultados de incontáveis experiências” [5] e ela (terra) tem bilhões de anos de existência a frente de nossa incipiente ciência, logo, a ciência tem muito o que aprender com a vida.

Na ficção, nossa ciência é capaz de congelar Homo sapiens por longos períodos e depois, descongela-los sem total saúde. Mas, na vida real, congelar alguém é muito perigo, uma vez que cristais de gelo se formam dentro das células antes do corpo congelar e, se você já colocou um garrafa cheia de água no congelador de sua casa, sabe que ao congelar a água expande e o mesmo ocorre no meio intracelular.

Curioso é que a vida, na natureza, solucionou esse problema e consegue manter vivo animais como peixes e sapos que vivem locais extremamente frios como o norte do planeta. Valendo-se de substâncias capazes de baixar o ponto de congelamento da água (glicose, geralmente), o corpo do animal pode congelar por completo, mas seu sangue, repleto de anticongelante, continua líquido e realiza as funções mais básicas.

A ciência moderna sabe que alto teor de glicose no sangue humano é letal, então tem pesquisado outras substâncias, mas, os resultados não tem sido bons, segundo o físico Michio Kaku [6] que afirma: “Ninguém nunca foi congelado ao ponto de petrif**ação e depois descongelado tendo vivido para contar a história. Estamos, portanto, muito longe de chegar à reanimação suspensa”.

Eis ai um claro exemplo da natureza nos superando. Mas, não devemos nos entristecer com isso. Nós somos parte da natureza e um produto da engenhosidade dela.

Por: Gerbson Vieira do Nascimento

Referências bibliográf**as:

1- ASSIS, MACHADO. Memórias póstumas de Brás Cubas. 2º Ed. São Paulo: Ática, 1995.
2- DAVIES, PAUL. O quinto milagre: Em busca da origem da vida. São Paulo: Companhia das letras, 2000.
3- GLEISER, MARCELO. Criação imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.
4- BOULTER, MICHAEL. O jardim de Darwin: Down House e a origem das espécies. São Paulo: Larousse Brasil, 2009.
5- WILSON, EDWARD. A criação: como salvar a vida na terra. São Paulo: Companhia das letras 2008.
6- KAKU, MICHIO. O futuro da humanidade: Marte, viagens interestrelares, imortalidade e o nosso destino para além da terra. São Paulo; Planeta, 2019.

Imagem: Peixes congelado. Disponível em: . Acesso em: 26/06/2025.
[Imagem meramente ilustrativa].

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18/05/2025

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SE VACAS NÃO DIGERE CAPIM POR QUE OS COME?

“A civilização foi alcançada como resultado de uma traição à natureza”. Escreveu o biólogo E. O. Wilson. Ele tem razão, afinal de contas, os alicerces da civilização moderna são a agricultura e a pecuária* e ambas são muitas vezes mais agressivas a natureza que a caça e coleta e, por falar nisso, nós nunca deixamos de prática essa forma menos agressiva, apenas diminuímos.

Com o crescimento da população humana, alcançada com o desenvolvimento da agricultura há cerca de 10 mil anos atrás, grande parte da fauna e flora original (natureza), foi destruída. Domesticamos algumas espécies tanto da fauna como da flora, a tal ponto que sem nós eles não vivem e nem mesmo se reproduzem como é o caso do milho**. Realmente foi um golpe traiçoeiro à natureza. Mas o golpe não parou por aí: domesticamos a vaca, o que nos deu leite e carne. Não paramos aí, multiplicamos muitas vezes o número delas agredindo ainda mais a natureza e causando nosso próprio mal.

Causando nosso mal? Bem, sim! E não estou falando apenas no desmatamento necessário para criar pastos, criadouros e matadouros. O que acontece é que_ para citar Idan Ben-Barak_ “[...] as vacas (juntamente com as ovelhas e outros ruminantes) na verdade não conseguem diferir pasto”. Ou seja, elas não digerem o capim que comem.

Ora, se elas não digerem por que os come?

Vacas, sendo representantes dos ruminantes, possui o que chamamos de rúmen (primeira porção do estômago). Dentro dele há micróbios especializados em desmontar a celulose digerindo o capim. Ou seja, não são as vacas quem digerem o capim, mas a vida microbiana dentro delas. Mas em que essa atividade causa nosso mal?

Acontece que, citando mais uma vez Idan Ben-Barak: “Vivendo em meio a esses decompositores de celulose no intestino dos ruminantes há organismos metanogênicos”. Metanogênicos são organismos cuja atividade metabólica resulta em metano como subproduto e este é expelido por esses ruminantes e como você sabe, o metano é um potente causador do efeito estufa e o caso é tão sério que na Nova Zelândia e também na Austrália, essa atividade metanogênica é responsável por nada mais que metade da emissão anual de gases de efeito estufa, o que não surpreende, pois não há apenas umas vaquinhas aqui e outra ali e além da vacas, outros ruminantes, como ovelhas por exemplo, fazem o mesmo e só a título de curiosidade, as ovelhas foram domesticadas por volta de 10.500 anos atrás no Oriente Médio***. Não é de hoje que temos incentivando a proliferação delas.

A situação é séria e alguns cientistas tem trabalhado procurando uma solução, para o problema criado por nossa agricultura e pecuária.

Notas:
*[Segundo a biólogo Anne Sverdrup-thygeson].
**[Segundo o biólogo Steve Jones].
***[Segundo o biólogo Daniel E. Lieberman].

Referencias e bibliografias:

BEN-BARAK I. Pequenas maravilhas: como os micróbios dominam o mundo. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

LIEBERMAN. D. A história do corpo humano; evolução, saúde e doença.1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.

JONES, S. A ilha de Darwin; Galápagos em um jardim da Inglaterra. Rio de Janeiro: Record, 2009.

WILSON, E. O. A criação; como salvar a vida na terra. São Paulo: Companhia das letras, 2008.

SVERDRUP-THGESON. A. Planeta dos insetos.1ª ed. São Paulo: Matrix, 2019.

Imagem: Ilustração mostrando Rúmen de uma vaca.
Disponível em:.Acesso em: 30. Jun. 2020.

Texto. Biólogo Gerbson V. Nascimento.

QUANDO MINHA VIDA INICIOU?Pergunta de um de nossos membros.R- Nos organismos de reprodução sexuada, o ciclo de vida tem ...
07/04/2025

QUANDO MINHA VIDA INICIOU?
Pergunta de um de nossos membros.

R- Nos organismos de reprodução sexuada, o ciclo de vida tem início com a formação da célula-ovo.
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“O processo pelo qual o zigoto dá origem à blástula e a blástula dá origem ao animal {...} está entre os mais formidáveis do universo”[1].

Eu recebo com alegria perguntas de membros curiosos sobre a biologia, contudo, algumas perguntas me deixam tão confuso que leva algum tempo até eu conseguir entender de fato qual é a dúvida. Na madrugada de ontem, um membro me mandou a seguinte mensagem: “Se eu sou o espermatozoide que venceu a corrida até o óvulo, quando minha vida começou?”.

Bom, para responder isso, primeiramente tive que esclarecer que ninguém foi, em nenhum momento, um espermatozoide e acho estarrecedor o número de pessoas que afirmam, provavelmente sem pensar direito no assunto, que já foi um espermatozoide e que por isso é o “vencedor” de uma competição contra outros espermatozoides. Mensagens motivacionais não cansam (na verdade já me cansaram) de afirmar que você é o espermatozoide vencedor e até pregadores usam o púlpito para emocionar seus ouvintes com alegações do tipo “Deus te deu um impulso, colorando-te na frente dos demais”.

O espermatozoide é uma célula reprodutiva e haploide de seu pai. Você, meu caro, é um amontoado de células diploides (exceto as células reprodutivas) resultante do desenvolvimento do zigoto. Então quem venceu a tal corrida? Se há algo – e não quem− que seguramente venceu a luta pela existência foram os genes de seu pai.
Então, quando a vida de um indivíduo começa?

Bom, nós somos seres de reprodução sexuada e nesses organismos o ciclo de vida [ ciclo diplobionte] inicia-se quando o gameta, a célula sexual do seu pai e da sua mãe, ou seja, espermatozoide e óvulo, se fundem na fecundação formando a célula-ovo [zigoto] que então passa por uma série de desenvolvimento que resulta no organismo formado.

Por: Gerbson V. Nascimento

Referências Bibliográf**as:

1- FRANCIS, R. Epigenética: como a ciência está revolucionando o que sabemos sobre hereditariedade. 1ª Ed. São Paulo: Zahar, 2015.

Imagem: Representação de espermatozoide e óvulo. Disponível em: https://escolaeducacao.com.br/desenvolvimento-embrionario-humano/. Acesso em: 07, Abr. 2025.

O QUE É UM AMINOÁCIDO?R- Moléculas orgânicas que quando unidas em grade número formam as proteínas._____________________...
06/04/2025

O QUE É UM AMINOÁCIDO?

R- Moléculas orgânicas que quando unidas em grade número formam as proteínas.
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“De acordo com o nosso estudo, o fato de os aminoácidos dos seres vivos serem canhotos é um acaso; poderia ter sido perfeitamente o oposto”¹.

Aminoácidos, segundo meu Compacto Dicionário de Saúde é um “sinônimo de ácido aminado”², ou seja, o ácido que contém aminas. Tal definição, talvez – e só talvez− seja clara para os químicos, mas não para mim e provavelmente para você também não. Mas, ela f**a clara depois que analisamos a formula geral dos aminoácidos e percebemos que todos apresentam o grupo amina [NH2] de forma invariável, isso é, a diferença entre os aminoácidos f**a restrita a variação de outro grupo, o chamado grupo R³. Os aminoácidos também apresentam um terceiro grupo chamado carboxila [COOH] que é quem caracteriza os ácidos orgânicos³.

Penso que agora a definição do pelo dicionário ficou mais clara. Mas o que é um aminoácido afinal? Eles são moléculas orgânicas formadas por carbono [C], nitrogênio [N], oxigênio [O], hidrogênio [H] e, em alguns casos, enxofre [S]. Os aminoácidos que fazem parte da composição de uma proteína apresentam um átomo de carbono que está ligado ao grupo amina, ao grupo carboxila, ao grupo R e a um átomo de hidrogênio³.

A ligação entre dois aminoácidos é chamada ligação peptídica [pepto: digerir]. O termo se justif**a, pois, a (as) molécula (as) resultantes da ligação de aminoácidos são chamadas de peptídeos. A ligação peptídica é feita, sempre, entre o grupo carboxila de um aminoácido e o grupo amina de outro. Mas, a ligação apenas ocorre porque o grupo amina perdeu um hidrogênio [-H] e o grupo carboxila um [-OH]. É essas “pontas livres” quem se ligam. E o que acontece com o [-H] e o [-OH]? Bom, eles também se ligam, forma a conhecida molécula H2O³.

Assim, a ligação de dois aminoácidos forma um dipeptídio; três, um tripeptídio; quadro, um tetrapeptídio... reservamos o termo polipeptídio [poli: muito] para as moléculas formadas por muitos aminoácidos, como as proteínas que possuem centenas ou milhares deles³.

Para a célula funcionar ela precisa de proteínas e as proteínas, como mencionado, são feitas de aminoácidos. De onde eles vêm? Bom, os aminoácidos podem ser obtidos por meio da alimentação ou produzidos pelo próprio organismo.

Por: Gerbson V. Nascimento

Referências bibliográf**as:

1- GLEISER, M. Criação Imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza.8ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.
2- SILVA, C. R. L; SILVA, R, C, L. Compacto Dicionário de Saúde. 7ª Ed.São Paulo: Yendis, 2009.
3- AMABIS, J, M; MARTHO, G, R. Biologia das células. 2ª Ed. São Paulo: Moderna, 2004.
4- LINHARES, S; GEWANDSZNAJDER, F. Biologia Hoje 1: citologia, reprodução e desenvolvimento, histologia, origem da vida. 2ª Ed. São Paulo: Ática, 2013.

Imagem: Formula geral de um aminoácido. Disponível em: https://www.launion.com.mx/blogs/ciencia/noticias/222655-aminoacidos-no-naturales-pequenos-cambios-que-pueden-hacer-una-gran-diferencia.html. Acesso em: 06, Abr. 2025.

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05/04/2025

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JOANINHAS FICAM DOENTE*?

Em 1860, Charles Darwin escreveu para seu amigo norte-americano Asa Gray: “Não consigo me convencer de que um Deus bondoso e onipotente criaria as icneumonídeas com a expressa intenção de que elas se alimentassem do corpo vivo de lagartas”. E, como escreveu Anne Sverdrup-Thygeson; “mal sabia ele... há coisas muito piores que essas vespas”. Já escrevi sobre as vespas parasitoides icneumonídeas** e asseguro que elas são bem “cruéis”, se é que podemos dizer isso***. Mas uma candidata a “pior” que elas, certamente é a bela ‘Dinocampus coccinellae’, que responde a pergunto desse texto, pois deixam joaninhas doentes quando não causam sua morte.

‘D. coccinellae’ também são parasitoides. A fêmea da espécie, utilizando-se do ovipositor deposita seu ovo dentro de um Coleoptera da família Coccinelidea, mais precisamente, uma “joaninha”. Dentro dela o ovo “choca” e “ao longo dos vinte dias seguintes a larva da vespa sai mastigando a maioria dos órgãos internos da joaninha”, como assegura Sverdrup-Thygeson, sem, contudo, matá-la. Depois de um tempo, a larva sai e se esconde na extremidade abdominal da joaninha onde tece um casulo para transformar-se em pupa.

E então algo estranho ocorre. A joaninha simplesmente f**a imóvel, movendo-se apenas quando algum inimigo se aproxima e apenas move-se para se esconder ou espantar o invasor. Ela f**a assim durante semanas, ocasião em que a vespa já adulta alça voou e deixa a joaninha. Mas como a vespa que coloco seu ovo dentro de uma joaninha consegue fazer com que ela adquira esse comportamento?

Acontece que a vespa não coloca apenas um ovo na joaninha, junto com ele, ela coloca um vírus que vai se proliferar no cérebro do animal a um ritmo exato para paralisar o animal, no momento em que a larva está para sair, o que explica o comportamento estranho adotada pelo pobre animal. Incrivelmente há joaninhas que sobrevivem a isso.
E então, como eu sempre digo: o mundo é belo, mas as vezes causa-nos arrepios.

Notas do autor.

*[obviamente f**am, são seres vivos e todos estão fadados a serem acometidos por alguma enfermidade. Usamos esse título unicamente para chamar a atenção].

**[Ver publicação “O que são os icneumonídeas falado por Darwin” no álbum CURIOSIDADES: VIDA ESTRANHA].

***[Não podemos. A natureza não deve ser antropomorfizada].

Referências bibliográf**as:

SVERDRUP-THYGESON. A. Planeta dos insetos. 1ª ed. São Paulo: Matrix, 2019.

Imagem: 'Dinocampus coccinellae'
Disponível em:.Acesso em: 21. Jan. 2020.

Autor do texto: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

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01/03/2025

Relembrando escritos anteriores.

COMO O BAIACU FAZ PARA CONSEGUIR INFLAR?

As costas oceânicas tropicais do mundo inteiro possuem um curioso peixinho com a estranha capacidade de inflar-se f**ando parecido com uma bola cheia de espinhos, dobrando e até triplicando, seu tamanho normal. Estamos falando do Baiacu-de-espinhos ('Diodon holocanthus') e temos certeza que você já ouviu falar dele ou viu em um desenho animado.

Devido a seu estranho mecanismo de defesa, o 'Diodon holocanthus', acabou recebendo um grande número de nomes: De acordo com Mark Carwardine, ele também é conhecido como; “peixe-porco-espinho, baiacu-de-espinhos-listrado, baiacu-de-chifre, baiacu chifrudo e peixe balão”. Como você pode notar, todos os nomes estão relacionados a capacidade que o peixe tem em inflar-se. Isso demostra que essa capacidade tem chamado a atenção de todos que tiveram contado com o peixinho “balão”.

Como será que este peixe consegue fazer isso?

De acordo com Carwardine, o 'D holocanthus' consegue expandir-se; “[...] graças à adaptação morfológica de seu estômago- que sem função digestiva, f**a dobrado em inúmeras pregas microscópicas- e também à sua estrutura esquelética: o baiacu manteve a espinha dorsal, mas muitos de seus ossos desapareceram, especialmente as costelas”. Para expandir seu estômago, o baiacu ingere uma grande quantidade de água ou ar. Sem costelas e outros ossos, ele não tem problemas em continuar expandindo. E como sua pele é elástica, não há perigo de ela rasgar-se. A continua expansão do estomago, faz que as escamas se abram, obtendo assim a função de espinhos. Quando o estômago está cheio, uma válvula localizada na base da boca do peixe, se fecha, impedindo assim que a água ou ar, escape, mantendo o peixe inflado.

E é assim que o 'D holocanthus', torna-se um “balão”. Mas esse incrível peixe só faz sua “magica” quando é atacado ou pressente um perigo. Quando tudo está calmo, ele é como qualquer outro peixe.

A vida é cheia de encantos e conhece-los só a torna mais atraente.

Referências e bibliografias:

Carwardine, M. NATUREZA RADICAL; O livro dos recordes das plantas e dos animais. 1ª edição. Rio de Janeiro. Ediouro. 2007.

Imagem: Baiacu.

Disponível em:. Acesso em: 14. Nov. 2018.

Autor do texto: biólogo Gerbson Vieira Do Nascimento.

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