Patrícia Gularte

Patrícia Gularte Eu estou....melhor que ontem porém...pior que amanhã!

25/08/2026

Durante muito tempo, a independência feminina foi uma conquista necessária.
E continua sendo.
Mulheres precisam ter autonomia financeira, poder de decisão, liberdade, voz e possibilidade real de escolher a própria vida.

Mas existe uma armadilha quando transformamos autonomia em:
“Eu não preciso de ninguém.”

Porque somos seres relacionais.
Precisamos de pessoas.
Precisamos de troca.
Precisamos de cuidado.
Precisamos de comunidade.

A saída não é voltar à dependência.
É construir interdependência.
Eu sustento minha vida.
Você sustenta a sua.
E ainda assim podemos sustentar algumas coisas juntas.
Eu tenho meu território.
Você tem o seu.
E podemos construir um território compartilhado sem que nenhum de nós precise desaparecer.
Isso vale para amizades.
Famílias.
Relacionamentos.
Comunidades.
E para a própria relação entre mulheres.

Autonomia não precisa ser isolamento.
Uma mulher verdadeiramente livre é justamente aquela que não precisa escolher entre:
ser ela mesma
ou
pertencer.
Ela pode fazer as duas coisas.
🌹

24/08/2026

A gente falou ontem sobre devolver o que não é nosso.
Hoje eu quero falar do outro lado:
aquilo que é nosso e foi f**ando para trás.

Porque a mulher sobrecarregada não perde apenas energia.
Às vezes ela perde contato com partes inteiras de si.
Uma amizade.
Um sonho.
Um projeto.
Um hobby.
Um desejo.
Um corpo que deixou de ser percebido como lugar de prazer e passou a ser apenas instrumento de trabalho e cuidado.
Um dinheiro que nunca sobra para ela.
Um tempo que nunca pertence a ela.

E existe uma pergunta que pode abrir uma porta:
“O que eu abandonei em mim para conseguir sustentar a vida que tenho hoje?”

Não para produzir culpa.
Para produzir consciência.
Porque recuperar território não signif**a abandonar quem amamos.

Signif**a deixar de desaparecer completamente dentro do que amamos.
E talvez o retorno comece pequeno.
Uma hora.
Um livro.
Uma caminhada.
Uma conversa.
Uma escolha.
Uma coisa que você faz porque é sua.

Não porque alguém precisa.
Não porque alguém espera.
Não porque alguém aprovou.
Mas porque existe uma parte sua querendo voltar a respirar.
O que é seu merece espaço na sua própria vida. 🌹

23/08/2026

O que aconteceu com essa mulher não começou no dia em que ela foi encontrada acorrentada.

Começou muito antes.

Começou quando ela precisou pedir proteção e não foi suficientemente protegida.

Começou em uma sociedade que ainda relativiza sinais de violência, chama controle de ciúme, ameaça de discussão de casal e espera a tragédia para reconhecer o perigo.

E é justamente aí que precisamos parar de olhar apenas para o agressor e começar a olhar para o sistema que deveria impedir que a violência chegasse tão longe.

Isso envolve política.
Envolve leis.
Envolve segurança pública.
Envolve educação.
Envolve gênero.
Envolve, principalmente, a nossa capacidade de reconhecer violência antes que ela vire notícia.

Falar sobre gênero não é criar guerra entre homens e mulheres.

É entender os códigos que aprendemos, os comportamentos que naturalizamos e as consequências que eles podem produzir.

Eu não quero ver mais mulheres sendo resgatadas de cativeiros.
Quero que elas sejam ouvidas antes de chegarem lá.
Proteção precisa signif**ar proteção.

E enquanto uma mulher pedir socorro e ainda assim precisar sobreviver até que alguém finalmente acredite nela, temos muito a discutir.

Não é ideologia.
É vida.

Gênero Conscientização

23/08/2026

Existe uma pergunta que pode mudar a forma como você se relaciona:
Isso é meu?

Porque mulheres foram ensinadas a cuidar.
E cuidar é bonito.
Mas existe uma fronteira muito importante entre cuidar e assumir para si aquilo que pertence ao outro.

A tristeza do outro não é automaticamente sua responsabilidade.
A frustração do outro não é automaticamente sua culpa.
A escolha do outro não é automaticamente algo que você precisa reparar.
E a felicidade de outra pessoa não pode depender permanentemente da sua capacidade de sustentá-la.

Isso não signif**a indiferença.
Signif**a responsabilidade bem localizada.
Eu cuido do que é meu.
Você cuida do que é seu.
E aquilo que é nosso precisa ser construído por nós.

Essa distinção pode parecer simples.
Mas, para muitas mulheres, ela devolve território.
Porque quando eu paro de carregar o que não é meu, sobra espaço para cuidar melhor daquilo que é.

Não somos responsáveis por tudo.
Mas temos responsabilidades

E uma vida mais consciente começa exatamente aí:
sabendo onde termina a minha responsabilidade e começa a do outro. 🌹

22/08/2026

Ele ajuda em casa.
Essa frase parece inocente.
Mas ela carrega uma ideia importante:
se ele ajuda, então alguém é o responsável principal.

E, historicamente, essa responsabilidade caiu muito mais sobre as mulheres.
Por isso, é a hora de mudar a pergunta.
Não:
“Ele ajuda?”
Mas:
“Como as responsabilidades são distribuídas entre vocês?”
Quem percebe?
Quem planeja?
Quem lembra?
Quem executa?
Quem acompanha?
Quem assume quando algo dá errado?

Porque lavar a louça uma vez é uma tarefa.
Mas perceber que a cozinha precisa ser organizada, saber o que falta, comprar, planejar e manter a rotina funcionando é outra camada de responsabilidade.

É por isso que corresponsabilidade é maior do que divisão de tarefas.
Não signif**a fazer tudo igual.
Signif**a que ninguém ocupa permanentemente o lugar de gerente da vida do outro.

E isso também precisa ser aprendido pelos homens.
Não porque homens sejam incapazes.
Mas porque ninguém nasce sabendo compartilhar cuidado.
Aprende.
Como também aprendemos tantas outras coisas.

E eu não quero uma conversa em que mulheres sejam ensinadas a pedir melhor enquanto homens continuam esperando instruções.
Quero uma conversa mais adulta:
cada pessoa precisa reconhecer aquilo que também é sua responsabilidade.
Isso vale para homens.
Vale para mulheres.
Vale para famílias.
Vale para relações.

Porque a transformação que eu desejo não é:
“homens contra mulheres.”
É:
“adultos aprendendo a construir relações mais justas.”

E essa é uma das formas mais concretas de transformar aquilo que discutimos até aqui.
Não colocar mais peso sobre a mulher.
Tirar o peso que nunca deveria ter sido exclusivamente dela.

21/08/2026

Limite não é muro.
E essa é uma das coisas que mais precisamos reaprender.

Durante muito tempo, muitas mulheres foram ensinadas que amar era ceder.
Que cuidar era estar disponível.
Que ser boa era não contrariar.
Que manter uma relação signif**ava suportar.

E então algumas aprenderam a dizer sim mesmo quando todo o corpo dizia não.
Até que um dia perceberam que estavam presentes em todas as relações…
menos na relação consigo mesmas.

É aí que o limite se torna necessário.
Não para criar distância de todo mundo.
Mas para criar contorno.
Isso é meu.
Isso é seu.
Isso é nosso.
Isso eu posso oferecer.
Isso eu não posso.
Isso eu quero.
Isso eu não quero.

E existe uma coisa importante:
limite não é punição.
Não é silêncio para manipular.
Não é ameaça.
Não é vingança.
Limite é comunicar uma condição sobre aquilo que você aceita fazer, viver ou sustentar.

E ele também precisa existir nas relações entre mulheres.
Na família.
Nas amizades.
Nos relacionamentos.
No trabalho.
Porque uma mulher não constrói rede saudável tornando-se disponível para tudo.
Ela constrói rede aprendendo a permanecer sem desaparecer.

Você pode começar por uma frase simples:
“Eu posso te amar e ainda assim dizer não.”
Isso não é falta de amor.
É existência.

19/08/2026

Existe uma diferença enorme entre dependência e interdependência.

Dependência pode signif**ar não conseguir sustentar a própria existência sem o outro.
Interdependência é diferente.
É poder sustentar a própria vida e, ainda assim, reconhecer que somos seres humanos relacionais.

Nós precisamos de pessoas.
Precisamos de vínculo.
Precisamos de cuidado.
Precisamos de presença.
E talvez muitas mulheres tenham sido tão ensinadas a provar que conseguem sozinhas que começaram a sentir vergonha de precisar.
“Eu dou conta.”
“Não quero incomodar.”
“Eu resolvo.”
“Tem gente pior.”
Até que a mulher f**a exausta…
e ainda se sente culpada por pedir.

Isso precisa mudar.
Não quero mulheres dependentes.
Quero mulheres autônomas que também possam ser cuidadas.
Quero mulheres capazes de oferecer sem se esgotar.
E capazes de receber sem sentir que contraíram uma dívida.

Porque uma rede só existe quando o cuidado circula.
Hoje eu cuido de você.
Amanhã você cuida de mim.
Em outro momento, alguém cuida de nós duas.
Não é fraqueza.
É comunidade.

E reconstruir a rede começa por uma frase muito pequena:
“Sim. Eu aceito. Obrigada.” 🌹

19/08/2026

Nem toda mulher precisa ser sua amiga.
Nem todo vínculo precisa permanecer.
Nem toda relação merece acesso à sua intimidade.

E falar de rede de apoio sem falar de discernimento seria irresponsável.
Porque uma rede saudável não é construída apenas com disponibilidade.
É construída com:
confiança.
reciprocidade.
limites.
respeito.
presença.

Uma pessoa que só aparece quando precisa de você não é necessariamente rede.

Uma pessoa que respeita seu “não”, consegue celebrar seu crescimento e permanece quando você está vulnerável começa a construir algo diferente.

E isso não é exclusividade das relações entre mulheres.
Vale para qualquer pessoa que ocupa um lugar importante na nossa vida.

Por isso, uma das perguntas que precisamos aprender a fazer é:
“Eu me sinto mais eu mesma depois de estar com essa pessoa?”

Nem sempre a resposta será simples.
Mas ela pode revelar muita coisa
Construir rede não é deixar todo mundo entrar.
É aprender quem pode caminhar perto.
E isso também é território. 🌹

18/08/2026

Talvez a outra mulher não seja sua inimiga.
E talvez você também tenha aprendido a enxergá-la assim.

Não porque nasceu querendo competir.
Mas porque vivemos em uma cultura que frequentemente coloca mulheres umas contra as outras.
Compare o corpo.
Compare a idade.
Compare o casamento.
Compare os filhos.
Compare a carreira.
Compare a beleza.
Compare o sucesso.
E, quando percebemos, uma mulher que poderia ser rede virou parâmetro.
Virou ameaça.
Virou concorrência.

Mas existe uma coisa importante:
reconhecer esse aprendizado não signif**a culpar mulheres.
Signif**a perceber o mecanismo.

Porque uma mulher que acredita que precisa disputar constantemente seu valor com outras mulheres f**a mais sozinha.
E uma mulher sozinha tem menos rede.
Menos troca.
Menos proteção.
Menos possibilidade de construir coletivamente.

Por isso, para mim, sororidade não é dizer que todas as mulheres precisam gostar umas das outras.
Não precisam.

É conseguir reconhecer humanidade na outra sem precisar diminuir a própria.
A conquista dela não tira a minha.
A beleza dela não apaga a minha.
A voz dela não silencia a minha.

Podemos existir juntas.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de reconstruir território:
uma mulher deixando de olhar para outra como ameaça…
e começando a perguntar:
“Como podemos caminhar melhor juntas?” 🌹

17/08/2026

AUTONOMIA SEM ISOLAMENTO.
FORÇA COM REDE.

Endereço

Sitio Da Bruxa (saida Da GM)
Gravataí, RS
94189-120

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