22/05/2026
No país do futebol, o esporte ainda costuma ser tratado como território masculino — dentro e fora das quadras. Foi desse incômodo que nasceu o projeto “Donas da Bola”: em 2014, ano que o Brasil sediou a Copa do Mundo masculina, 11 fotógrafas percorreram o país atrás de mulheres que jogam futebol.
Pra retratar essa intimidade com a bola, a fotógrafa carioca foi parar em Ipanema. No fim de tarde, o clássico cartão-postal do Rio de Janeiro ganha outra cara: nos últimos instantes de sol, a beirada do mar se enche de rodas de altinha, entre voleios, bicicletas e passes improvisados pra manter o jogo vivo.
“Altinha vem de bola alta, uma espécie de frescobol do futebol. Não tem placar nem vencedor: quanto menos se erra, mais divertido f**a”, explica Luciana, que foi à praia em busca de mulheres que exibissem a habilidade com o esporte — uma relação que, às vezes, começa na infância. Ninna, uma das protagonistas do ensaio, aprendeu altinha jogando com o pai. “Ela voa pra chegar na bola”, conta. “Quando viu as fotos, me disse: ‘Nesse dia eu estava de ressaca. Jogo muito melhor de ressaca!’”.
Agora, enquanto o país se prepara pra receber a Copa do Mundo feminina, em 2027, o coletivo busca patrocínio pra mais uma vez documentar a relação das brasileiras com a bola — e entender o que mudou na última década. “As mulheres ganharam algum espaço, mas ainda pouco”, conta. “Queremos registrar a evolução dessa luta”.
Sobre a autora
Luciana Whitaker é fotógrafa e jornalista. Foi editora de fotografia na Folha de S.Paulo e teve suas imagens publicadas em veículos como Le Monde, The Washington Post e The Times. Com “Vestígios”, série que registra as ruínas pouco conhecidas na Floresta da Tijuca, ela ganhou os maiores concursos fotográficos. Já em “11 Anos no Alasca”, que virou livro, passou mais de uma década documentando o povo Iñupiaq em Barrow, no extremo norte do Alasca.