12/01/2021
Diante toda polemica recente envolvendo a possível escola Militar em Queimados, lembrei-me de uma notícia de anos atrás, mas que se faz muito presente neste conturbado início de ano.
Os colégios de aplicação e os institutos federais, com ensino técnico paralelo ao ensino médio, são os responsáveis pelos melhores resultados do país dentre as escolas públicas, desempenho superior, inclusive, ao dos colégios militares.
A ideia do colégio militar em Queimados, vem do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que determinou o fomento à criação de escolas cívico-militares em todo o país. Embora o documento não detalhe de que forma será feita a implantação, o antigo ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodríguez, afirmou na época que a inspiração seria os colégios militares, que detêm desempenho acima da média.
A principal diferença em relação às escolas públicas convencionais é o investimento do Exército por aluno: R$ 19 mil ao ano, três vezes mais do que em uma escola pública regular. O argumento do bom desempenho encontra respaldo nos números do Enem, em que os alunos dos colégios militares costumam se destacar. Mas outro modelo, o das escolas federais, mostra desempenho superior com investimento inferior, de R$ 16 mil ao ano por aluno.
O investimento médio nos alunos das redes públicas de educação nos estados e municípios é de aproximadamente R$ 6 mil por ano.
No ranking das 10 melhores instituições públicas do país, de acordo com o resultado do Enem em 2017, sete são federais, entre colégios de aplicação das universidades federais e campus dos Institutos Federais e CEFET. Na lista aparece somente um colégio militar do Exército, o de Belo Horizonte (MG), em 7º lugar. Há ainda duas escolas públicas estaduais entre as melhores do país.
Escolas militares têm desempenho similar ao de unidades com perfil parecido. Acima da média, centenas de colégios estaduais com alunos do mesmo perfil socioeconômico têm resultado melhor.
Quase seis em cada dez colégios militares com médias no Enem têm alunos nos três maiores altos níveis socioeconômicos (em uma escala com sete níveis). O perfil socioeconômico dos estudantes é essencial para o sucesso escolar: quanto mais alto, melhores os resultados.
Ao levar em conta escolas com nível socioeconômico médio, que agrupa o maior número de unidades analisadas, os institutos federais têm média de 557 pontos, enquanto escolas estaduais ligadas à PM aparecem abaixo, com 524,6.
Já as estaduais (não militares) têm média mais baixa, de 498,9. Mas essa é a média de 3.578 unidades —356 dessas escolas têm resultados melhores do que o das militares.
Na Baixada Fluminense, onde se tem os piores índices de aprendizagem do Estado, se faz extremamente necessário um reforço na Educação Básica, em Queimados, isso se torna urgente, mas não com Escolas Militares, mas sim, com os Institutos Federais, que já são presentes em Cidades próximas e se mostram mais eficientes e mais inclusivos, atendendo melhor a necessidade da educação dentro de nosso município.