05/04/2026
A Parábola do Outono e da Pedra
À Glória do Grande Arquiteto do Universo.
Meus Irmãos,
Conta-se que, em um antigo canteiro de obras, havia uma pedra bruta, firme e orgulhosa de sua forma. Durante o verão, sob a luz intensa, acreditava ser completa, imutável e suficiente em si mesma.
Mas o tempo, silencioso e sábio, fez chegar o outono.
As folhas começaram a cair, o vento tornou-se mais frio, e tudo ao redor passou a se transformar. A pedra, ao observar a mudança da natureza, inquietou-se. Não compreendia por que aquilo que parecia perfeito precisava mudar.
Foi então que o construtor se aproximou.
Com mãos firmes e olhar sereno, iniciou o trabalho. A cada golpe do cinzel, a pedra sentia a dor da transformação. Aquilo que antes era excesso, começava a ser retirado. Aquilo que era bruto, começava a ganhar forma.
E, no rigor daquele processo, a pedra percebeu que não estava sendo destruída… mas preparada.
Preparada para deixar de ser apenas parte do chão, e tornar-se elemento de uma obra maior.
Com a chegada do frio, compreendeu, enfim:
Que o outono não representa o fim, mas o início do aperfeiçoamento.
Que o frio não endurece apenas — ele fortalece.
E que nenhuma transformação é em vão quando guiada pelas mãos do Grande Arquiteto do Universo.
E assim, meus Irmãos,
Como a pedra, também nós somos chamados a aceitar os ciclos da vida.
A compreender que as mudanças não nos diminuem — nos elevam.
E que, mesmo nos momentos de silêncio e recolhimento, estamos sendo lapidados para melhor servir à grande obra.
Que saibamos reconhecer, em cada estação, a oportunidade de nos tornarmos mais justos, mais fortes e mais conscientes do nosso propósito.
Assim seja.
Ir∴ Paulo Aragão