15/06/2026
Olho para a minha história e indissocio-as às marcas do tempo, as visíveis e as invisíveis.
Há muito que me inquieta este impulso tão humano de rejeitar o próprio templo. Pergunto-me tantas vezes sobre o porquê de nos sentirmos tantas vezes estrangeiros na nossa própria pele, ansiosos por tapar, silenciar e maquilhar aquilo a que chamamos de "imperfeições".
Mergulhar na psicologia e na psicanálise tem sido um farol para acolher a complexidade desta dor que vejo e que tantas vezes senti na própria pele.
Compreendo que o corpo não é linear, causal...que muitas vezes vive na clivagem, nessa separação dolorosa entre o que mostramos e o que escondemos, entre o eu idealizado e a crueza do que somos no real.
Deixar habitar pela ambiguidade tem sido reparador: da psique e do corpo (não serão eles mesmos interrelacao?)
O mesmo recanto que dói é também o que protege; a marca que tentamos ocultar é, na verdade, o manifesto da nossa sobrevivência.
Tapar a "imperfeição" (seja lá o que esse conceito diz a cada uma uma de nós) é tentar apagar a nossa narrativa. A nossa história. A nossa unicidade.
A natureza tem sido esse espaço de transição para poder imaginar novas histórias para um corpo que só precisa de amor. Seja ela a natureza que me envolve - através do meio e do cuidado cosmético - mas também que me preenche - pela nutrição.
Depois de uma pausa para me focar no mestrado, retorno aos poucos a este espaço.
Mas volto com a mesma integralidade de sempre. Às vezes poética (como hoje), às vezes divertida (como quase sempre 🤣), mas procurando sempre ser amparo 💚
Verso de