23/08/2026
PELA PRIMEIRA VEZ, ANGOLA CAPACITA PROFISSIONAIS DE SAÚDE COM PLATAFORMA MUNDIAL DE DECISÃO CLÍNICA
�Formação sobre a UpToDate marca novo passo na transformação digital do sector e aproxima profissionais angolanos do conhecimento científico actualizado para decisões clínicas mais seguras e fundamentadas
Angola dá, esta Segunda-feira, 24 de Agosto, um novo passo na modernização do Sistema Nacional de Saúde, com a realização da primeira formação no país sobre a UpToDate, uma plataforma internacional de apoio à decisão clínica baseada em evidências científicas*.
Mais do que uma formação sobre tecnologia, a iniciativa representa uma aposta na aproximação entre conhecimento científico, prática clínica e qualidade dos cuidados, colocando ao alcance dos profissionais uma ferramenta concebida para apoiar decisões no momento em que estas podem fazer a diferença na vida dos pacientes.
Promovida pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (UIP-PFRHS), a iniciativa enquadra-se na estratégia de reforço da formação contínua, especialização e actualização dos profissionais de saúde, associada à introdução de soluções digitais de suporte à actividade clínica.
A formação será conduzida por especialistas da Wolters Kluwer, responsável pelo desenvolvimento da UpToDate, uma das plataformas de referência mundial em informação clínica baseada em evidências e utilizada por profissionais de saúde em mais de 190 países.
Pela primeira vez, profissionais de saúde angolanos terão contacto directo, em contexto de formação, com uma ferramenta tecnológica concebida para disponibilizar informação clínica actualizada e apoiar a tomada de decisões fundamentadas.
A UpToDate reúne mais de 13 mil tópicos clínicos, milhares de gráficos e imagens, calculadoras médicas, informações farmacológicas e conteúdos actualizados permanentemente por uma rede de mais de 7.600 especialistas.
A plataforma pode apoiar diferentes categorias profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos de diagnóstico e terapêutica, gestores de saúde, médicos residentes e estudantes, promovendo uma abordagem integrada e multidisciplinar.
A sua utilização pode contribuir para reduzir incertezas, apoiar a adopção de condutas clínicas baseadas em evidências, melhorar a segurança dos pacientes e facilitar decisões mais rápidas e fundamentadas no momento do atendimento.
É, neste sentido, uma mudança que vai além do acesso à informação: pretende colocar o conhecimento certo, no momento certo e ao serviço da decisão clínica.
Durante a formação serão abordados aspectos relacionados com o registo dos utilizadores, funcionamento da plataforma, aplicação no contexto clínico e utilização como instrumento de aprendizagem permanente e de desenvolvimento profissional contínuo.
A iniciativa procura aproximar o conhecimento científico actualizado da realidade dos serviços de saúde, criando condições para que os profissionais possam recorrer a informação relevante no momento em que dela necessitam.
Para o Ministério da Saúde, a transformação digital não deve ser entendida apenas como a introdução de novas tecnologias nos serviços. O verdadeiro desafio consiste em fazer com que essas ferramentas sejam incorporadas na prática profissional e produzam resultados concretos na assistência à população.
A tecnologia só ganha verdadeiro sentido quando se transforma em conhecimento aplicado, e o conhecimento só cumpre plenamente a sua função quando contribui para cuidar melhor do paciente.
A capacitação abrangerá profissionais de instituições estratégicas do Sistema Nacional de Saúde, entre as quais o Centro Especializado de Tratamento de Endemias e Pandemias (CETEP), o Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, o Hospital de Referência do Bié Walter Strangway, o Hospital do Prenda, o Hospital Geral de Cabinda, o Hospital Geral de Cacuaco, Heróis de Kifangondo, o Hospital Geral de Viana, Bispo Emílio de Carvalho, o Hospital Geral do Bengo, Reverendo Guilherme Pereira Inglês, o Hospital Geral do Cunene, o Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo e a Maternidade Lucrécia Paim.
Segundo o gestor técnico do projecto, *Prof. Job Monteiro*, a iniciativa terá uma abrangência progressiva e nacional, devendo chegar às províncias que dispõem de polos de formação, com o propósito de garantir que nenhum território ou unidade fique excluído do processo.
“*Todas as províncias que têm polos de formação serão contempladas. Ninguém ficará de parte. Serão beneficiárias todas as unidades do Ministério da Saúde*”, garantiu o gestor técnico do projecto, Prof. Job Monteiro.
A declaração reforça a dimensão nacional da iniciativa e evidencia a intenção de transformar a formação numa estratégia contínua de capacitação dos profissionais, permitindo que a ferramenta seja progressivamente incorporada nas diferentes estruturas do Sistema Nacional de Saúde.
A abrangência da formação permitirá, assim, levar a ferramenta a profissionais de diferentes áreas, especialidades e unidades hospitalares, reforçando uma abordagem multidisciplinar e baseada no conhecimento científico actualizado.
A aposta na qualificação dos recursos humanos constitui um dos eixos centrais do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), que procura aumentar a capacidade técnica nacional através da formação, especialização e actualização permanente dos profissionais.
A implementação desta iniciativa reflecte a visão estratégica do Executivo Angolano, liderado pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, de promover projectos estruturantes destinados a elevar a qualidade dos serviços públicos de saúde e ampliar o acesso a cuidados especializados.
Neste quadro, a introdução de plataformas digitais de conhecimento clínico acrescenta uma nova dimensão à formação dos profissionais, ao combinar ciência, tecnologia, especialização e aprendizagem contínua.
Para a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, investir na formação e no conhecimento é indispensável para construir um sistema de saúde capaz de responder aos desafios actuais.
“A formação é a ferramenta basilar para termos bons quadros. Um sistema de saúde forte depende de profissionais bem preparados, actualizados e com acesso aos melhores instrumentos disponíveis para apoiar a sua actividade”, tem reiterado a governante.
A visão coloca os recursos humanos no centro da transformação do sector: não há modernização sustentável dos serviços de saúde sem profissionais preparados para utilizar o conhecimento e as ferramentas disponíveis em benefício do paciente.
A introdução da UpToDate no processo de formação dos profissionais angolanos representa, assim, uma aposta na utilização estratégica da tecnologia para apoiar a prática clínica.
Mais do que disponibilizar informação, a iniciativa pretende criar condições para que o conhecimento científico se transforme em decisões concretas no local de atendimento, contribuindo para melhores condutas clínicas, maior segurança dos pacientes e melhores resultados na assistência.
O impacto esperado não se limita ao profissional que utiliza a plataforma. Estende-se ao paciente que recebe uma decisão mais fundamentada, ao serviço que procura melhorar a qualidade da assistência e ao próprio Sistema Nacional de Saúde, que precisa de profissionais cada vez mais preparados para responder à complexidade dos desafios actuais.
É nesta perspectiva que a transformação digital assume uma dimensão estratégica: digitalizar não é apenas modernizar ferramentas; é transformar a forma como o conhecimento chega ao profissional e como esse conhecimento se converte em cuidado.
Com esta iniciativa, Angola reforça o compromisso de transformar conhecimento em prática clínica, consolidando uma nova etapa na melhoria da qualidade dos serviços de saúde e no caminho para a Cobertura Universal de Saúde.
A aposta em formação, evidência científica e ferramentas digitais procura, em última instância, construir um sistema de saúde mais moderno, seguro e preparado, onde a inovação tecnológica esteja ao serviço de uma finalidade maior: melhorar a vida e proteger a saúde dos cidadãos.
Fonte: GTICI – IES/UIP, Ministério da Saúde, Luanda, 23 de Agosto de 2026