16/08/2017
Hoje, me encontrando com Guilherme, da Patrícia Brito, me lembrei de algo muito interessante ocorrido com meu saudoso colega Rogério Brito. Como é uma "estória de engenheiros" posto aqui. Copiarei na página pessoal, também, pois é uma história de amigos.
O senhor Carlos Saraiva, caixeiro viajante de priscas eras, fazia a praça de Anápolis, além de grande parte do nosso estado. Também de Minas Gerais, donde vinha prá cá. Com o aumento dos negócios sentiu a necessidade de ajuda, chegando ao seu lado o Sr. Guilherme, hábil e inteligente comerciante, que fez os negócios prosperarem. Talvez satisfeito pelos resultados, e cansado, provavelmente, não me lembro da precisão dos fatos, vendeu sua parte ao sócio. Este, que soube aumentar horizontes e se aproveitar dos bons ventos, acabou por criar uma grande rede mineiro-goiana de lojas, com inúmeros pontos de venda nas principais cidades de sua base comercial. Sabido, não trocou o nome do negócio, considerado uma forte referência. Tempos passados, modernidade chegando, nomes em inglês proliferando prá tudo quanto pudesse, ou não, conceitos se alterando, eis que seus filhos, participando cada vez, mais, dos negócios, ainda que dele partissem as decisões fundamentais da empresa, resolvem mudar o nome para MIG. Mais moderno, homenagem certa à terra onde surgiu. Forte, tendo CEMIG, TELEMIG e outras migs a reforçar a marca, já boa de nascimento. Nessa época havia duas lojas "Carlos Saraiva" em Anápolis. Uma à esquina da Goiás com Engenheiro Portela, em frente à outrora potência Onogás, e outra onde se situa, hoje, a Rchlo, nome novo da Riachuelo, antiga e sempre forte. Desejando construir nova loja, pesquisaram e decidiram chamar, em concorrência, os Engenheiros Rogério Brito e eu. Rogerão, à véspera da data marcada para apresentação dos projetos e orçamentos em Uberlândia, sede da empresa, me ligou: "Dido, cê vai a Uberlândia amanhã? T**a irmos no meu carro e rachar a gasolina?" Claro, e aí fomos. No caminho ele pergunta: "Qual seu preço?". Eu: "O seu?". Como ninguém abria o jogo, ele, espertamente, que era uma característica evidente de seu comportamento, disse: "Nem eu, nem só você. Vamos fazer juntos, e ganhamos os dois?" Topei, na hora, pois sabia que o adversário era muito forte, e nunca prestei para jogos de esperteza. Chegando, apresentados projetos e propostas, os dois ansiosos à frente de Seu Guilherme, ouvimos: "Os projetos e preços são muito próximos...", emendando, mais esperto que nós dois: "Qual de vocês me faria por "tanto"? (Preço um pouco menor que nossos dois, ou a média deles. Respondemos: "Os dois!" Ele se surpreendeu pela pronta, uníssona e afinada resposta, e aí contamos nosso trato malandro. O Boletim Diário da obra tinha a assinatura R. Brito num dia, D. Jaime no outro, e, após o registro de sessenta dias de chuva, sem ficar um só sem água, terminamos uma nova e boa obra que muitos prazeres nos trouxe. Ainda fiz, sozinho, reformas na loja da Goiás e grande reforma, quase reconstrução, da loja entre a Avenida 24 de Outubro e antiga Rua Bahia, hoje Alberto Miguel. Rogerão se foi, mas deixamos a amizade entre famílias e nossos filhos Rodrigo e Guilherme, a quem transferi minha afeição.