14/04/2026
ARTE NO PARQUE IBIRAPUERA
2- A GRANDE FEIRA
Para quem gosta de arte, a SP Arte é um banquete, cuja fartura não poderá ser desfrutada em nenhum museu brasileiro. Foram exibidas 3.000 obras de arte, e embora os acervos de obras de arte dos nossos principais museus possuam um número maior de obras em seu acervo, como a maioria delas f**a guardada em reservas técnicas, não é possível ver tantas obras em exposição.
A Feira ocupa a sede da Bienal e esta ocupação, para aqueles que conhecem a história, promove uma reflexão dolorosa. A ascenção da Feira realça a decadência da Bienal. Alguns sinais são visíveis apesar da maquiagem da Feira: o prédio assinado por Niemeyer construído graças a iniciativa do mecenas Cicillo Matarazzo (1898-1977) está desgastado, pois, apesar de ser explorado em aluguéis para eventos diversos durante todo o ano, as reformas necessárias nunca foram feitas.
A Bienal tinha um projeto, era um salão aberto, possuia um conselho de arte e um juri de seleção do qual participaram os mais importantes especialistas do mundo. Basta lembrar que a Guernica de Picasso, foi exibida na 2ª edição. A nossa Bienal foi a segunda mostra internacional de arte mais impotante do mundo. Cicillo queria formar acervo no Brasil e as obras premiadas na Bienal eram adquiridas e hoje pertencem ao MAC USP. Este trabalho foi perdido. A Bienal de São Paulo perdeu relevância.
Na SP Arte houve espaço para todos tipos de arte, do século XIX aos dias atuais. Notei um número menor de galerias estrangeiras, com exibição principalmente de latino-americanos como Botero (1932-1023) e Torres Garcia (1874-1949). O modismo da abstração geométrica, especialmente da Optical Art , mvimento surgido nos anos 60, continua forte.
Apesar das galerias de arte apostarem em artistas que vendem, valorizados e conhecidos, como o modernista Brecheret (1894-1955) e o contemporâneo Geraldo de Barros (1923-1998), no segundo andar haviam surpresas muito interesantes como a xícara de café de Jefferson Medeiros, que poderia ser ligada ao Novo Realismo: a xícara, o pires e a colher, extraídos do seu contexto, adquirem um novo signf**ado com um recorte em formato do mapa brasileiro, pelo qual o café vaza para o pires. Não adianta tentar pegar o café com a colher, pois esta também está furada. Uma síntese poética da economia social brasileira, um país que permanece desde os tempos de colônia como primário exportador, mas que depende de fertilizantes produzidos principalmente pela Russia. Como enfrentamos um processo de desindustrialização, os produtos feitos pela industria, a porcelana e a colher, estão furados.
E já que estavamos neste shopping, mesmo que apenas para ver as vitrines, nada como ganharmos alguns brindes. No espaço patrocinado pelo Iguatemi, teve palestras de qualidade. As melhores com Guto Lacaz e Leandro Karnal. O espaço também funcionou como área de descanso, em que foram servidos gratuitamente, bebidas não alcoolicas e comidinhas.
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Fotos:
1- xícara de café de Jefferson Medeiros
2- Victor Brecheret, “Diana Caçadora”, estudo da oba pertencente ao Theatro Municipal, escultura em mármore, dec. de 30. Galeria Frente.
3- Dan Galeria com esculturas de Thoma Schonauer e Leon Ferrari, e trabalho de Geraldo de Barros
4- Fridrich Heldorn, “A baía do Rio de Janeiro”, séc. XIX. Galeria Frente