24/09/2026
Ele recebeu uma correção e sorriu.
Para quem está fazendo uma abordagem de segurança, a reação pode parecer deboche, falta de interesse ou até resistência à orientação.
Só que um sorriso nem sempre significa que alguém achou graça.
Em situações de desconforto, constrangimento ou tensão, sorrir também pode surgir como uma resposta automática. Um estudo publicado no Journal of Nonverbal Behavior analisou sorrisos espontâneos associados à diversão, ao constrangimento e à dor e encontrou diferenças importantes na dinâmica dessas expressões. Por isso, interpretar uma expressão isolada pode nos levar a atribuir uma intenção que talvez nem exista.
No ambiente de trabalho, isso importa.
Durante uma abordagem, o comportamento visível é apenas uma parte da situação.
O que aconteceu antes?
Como a orientação foi feita?
O trabalhador compreendeu o que estava sendo apontado?
Ele teve espaço para explicar sua percepção sobre aquela atividade?
O que aconteceu depois da conversa?
Uma boa abordagem comportamental precisa de observação, diálogo e contexto.
Em vez de concluir imediatamente “ele não levou a sério”, vale voltar para aquilo que pode ser observado e compreendido: a situação, o comportamento, as condições da atividade e a resposta à orientação.
Porque uma reação pode durar alguns segundos.
A interpretação que fazemos dela pode influenciar toda a conversa que vem depois.
Na próxima abordagem, antes de interpretar uma reação, procure entender o contexto.
Fonte: Journal of Nonverbal Behavior, 2022.