14/08/2026
Essa situação já me fez perder um bom tempo em projeto 😅
Você olha uma viga metálica na ponta de uma laje em balanço e a primeira leitura parece muito óbvia:
a laje chega ali e apoia na viga.
Então você lança dessa forma, processa e…
a viga desloca demais.
Aí começa aquela sequência que provavelmente todo mundo que projeta estrutura já fez alguma vez:
aumenta o perfil.
Processa.
Ainda não ficou bom.
Testa outro.
Processa de novo.
Até que você começa a perceber que está tentando colocar uma viga enorme num lugar onde a arquitetura não quer uma viga enorme 😂
E foi numa situação dessas que eu comecei a fazer uma pergunta que hoje eu uso muito mais nos projetos:
quem disse que essa viga precisa sustentar a laje?
Porque dependendo de como o restante da estrutura está concebido, eu posso fazer justamente o contrário.
Posso levar a laje em balanço até aquela extremidade e fazer ela carregar a própria viga metálica da borda.
Aí aquela peça que antes era o “apoio” deixa de ter essa função principal.
E é engraçado porque às vezes você f**a horas tentando fazer uma conta fechar, quando o problema nem estava na conta.
Estava numa decisão que você tomou lá no lançamento.
Claro que não é uma regra para qualquer viga metálica em balanço.
Tem que olhar os apoios, as ligações, a rigidez, o comportamento da laje e como aquela carga realmente volta para a estrutura.
Mas hoje eu tento não assumir mais quem sustenta quem só olhando para a arquitetura.
Primeiro eu penso no caminho da carga.
Depois eu modelo.
Essa mudança parece pequena, mas já resolveu muito projeto que, no começo, parecia que só precisava de “uma viga maior”.
Se você trabalha com estrutura, salva esse post porque uma hora você vai f**ar preso tentando aumentar um elemento que talvez nem devesse estar fazendo aquele trabalho.
E se quiser ver mais decisões assim em projetos reais aqui do escritório, comenta BASTIDORES.