08/08/2026
“Eu me sinto pai e mãe ao mesmo tempo.” Essa é uma frase que escuto com frequência.
Ela costuma vir carregada de cansaço, sobrecarga e, muitas vezes, de solidão.
Mães que assumem a maior parte dos cuidados, das decisões, da rotina, da educação e das preocupações com os filhos.
Esse sentimento merece ser acolhido. Mas, sob a perspectiva da Constelação Familiar, existe uma reflexão importante.
Por mais presente e dedicada que uma mãe seja, ela continua ocupando o lugar de mãe.
E o lugar do pai continua existindo, mesmo quando ele está distante, ausente ou exerce sua função de forma diferente do que se gostaria.
Isso não diminui a dor de quem se sente sobrecarregada. Mas nos convida a olhar para além das tarefas do dia a dia.
Quando uma mãe acredita que precisa ocupar os dois lugares, ela carrega um peso que não lhe pertence.
E, muitas vezes, sem perceber, isso também repercute na forma como o filho se relaciona com a figura paterna e com a própria história.
Cada família tem a sua realidade. Cada história merece ser compreendida sem julgamentos.
Talvez a pergunta não seja: “Como posso ser pai e mãe?”
Mas sim: “Como posso permanecer no meu lugar, mesmo diante das dificuldades?”
É a partir desse olhar que começamos a construir relações mais saudáveis para todos.
— Bruna Drummond