19/05/2026
A presença de trabalhadores chineses na Bahia está diretamente ligada aos investimentos da montadora BYD no polo industrial de Camaçari. A participação desses profissionais ocorre de forma pontual e estratégica para apoio técnico, transferência de tecnologia e montagem de equipamentos industriais.
Contexto e Obras da BYD
O projeto da BYD em Camaçari, que substituiu a antiga fábrica da Ford, tem previsão de gerar cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos. Embora existam campanhas de desinformação nas redes sociais alegando uma "invasão" de 10 mil chineses, a realidade é que a esmagadora maioria da mão de obra contratada no complexo é composta por brasileiros.
Atualmente, o quadro de trabalhadores conta com milhares de brasileiros atuando tanto nas operações diretas da montadora quanto nas obras das empresas terceirizadas responsáveis pela construção. A contratação de chineses limita-se apenas a especialistas e técnicos para a montagem de maquinários complexos e transferência de conhecimento para os operários locais.
Investigação de Trabalho Escravo e Condições de Trabalho
Apesar do grande plano de empregabilidade da montadora, o projeto em Camaçari foi alvo de uma grave operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal.
Em uma grande fiscalização, foram resgatados 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão no canteiro de obras. As investigações apontaram que os operários, trazidos por empresas terceirizadas, enfrentavam:
Jornadas abusivas: Até 70 horas semanais de trabalho.
Alojamentos degradantes: Superlotação severa e falta de condições sanitárias adequadas.
Cerceamento de liberdade: Retenção de passaportes e ameaças de cobrança de custos de retorno ao país de origem.
Após as autuações, a BYD rompeu contratos com as construtoras envolvidas (como a Jinjiang), regularizou as pendências trabalhistas, e a companhia acabou sendo incluída na "lista suja" do trabalho escravo pelo Governo Federal. O caso gerou posicionamentos oficiais, com o governo de Pequim exigindo o cumprimento das leis locais por parte de suas empresas no exterior.
Para mais detalhes sobre a fiscalização que resgatou os operários chineses e os detalhes da operação:
Montadora detalha composição da força de trabalho no complexo de Camaçari, nega chegada massiva de estrangeiros e anuncia expansão das contratações