06/12/2020
PONTE ESTAIADA X PÊNSIL: ENTENDA AS DIFERENÇAS
Além dos aspectos estéticos é preciso considerar a viabilidade de construção de cada uma dessas pontes
Todas as pontes, assim como viadutos, passarelas e túneis são chamadas na Engenharia de obra de arte especial. Dentre as pontes e viadutos existem tipologias como a treliçada, a de arcos, ou, que são as mais comuns, pênsil e estaiada. Embora essas duas últimas contenham um tipo de cabo de suspensão, elas diferem quanto à estrutura e construção.
Tanto a ponte pênsil como a estaiada têm mastros e tabuleiro – a “laje” sobre a qual passam os veículos. No caso da ponte estaiada, os estais que saem do mastro são ancorados diretamente no tabuleiro em nichos de ancoragem. Devido a sua angulação, eles podem sair do mesmo ponto no topo do mastro – o tipo “leque” – ou sair paralelos do mastro – tipo “harpa”.
Já na ponte pênsil há um cabo de aço principal e os cabos pendurais (verticais), os quais se ligam perpendicularmente ao tabuleiro. O cabo principal da ponte pênsil vai de uma ponta até outra, preso pelos mastros, e toma a forma de uma catenária (figura geométrica formada quando um cabo é suspenso pelas extremidades e sofre a ação do próprio peso). Enquanto a componente vertical dos esforços é recebida pelos mastros, as forças de tensão são equilibradas por blocos de ancoragem, que ficam presos em cada extremidade do cabo principal.
A ponte pênsil tem outro elemento que pode ser visto como uma desvantagem, explica João Carlos Gabriel, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas. “Ela precisa de uma viga de rigidez para evitar a oscilação provocada pelos veículos ou pela carga do vento. Por conta da oscilação, ela pode entrar em ressonância e ruir”.
Em contrapartida, o tabuleiro da ponte estaiada tem rigidez maior, podendo vencer vãos acima de 150 m. Por isso, “ela é indicada para locais com grande passagem de embarcações”, comenta Gabriel. Além disso, seu tempo de construção também é menor, quando comparada a outros tipos de ponte.
A ponte estaiada pode ser construída, por exemplo, com fôrmas deslizantes, ou por balanços sucessivos: a partir do mastro, cada elemento estrutural do tabuleiro vai sendo ancorado um após o outro. Já na ponte pênsil, é necessário iniciar as obras das margens para o centro.
Além das suas vantagens, há um argumento popular para a escolha de pontes estaiadas, que é a admiração que ela provoca. Existe um interesse das pessoas por essa estética, seja por conta da simetria da ponte, da harmonia com o ambiente, ou mesmo por ser diferente.
Conheça pontes estaiadas e pênsil no Brasil e no mundo
A ponte pênsil Tacoma Narrows foi inaugurada em 1º de julho de 1940 no estado de Washington, Estados Unidos, ligando a península de Kitsap com a cidade de Tacoma. Até hoje seu caso é estudado em cursos de Engenharia e de Física, pois sua estrutura sofreu ação do vento local e, por não ter vigas de rigidez, entrou em ressonância, passou a oscilar e ruiu. Seu colapso foi em 7 de novembro do mesmo ano.
Dentre as pontes pênsil de mais destaque mundial está a Golden Gate, que liga São Francisco a Sausalito (EUA). Aberta em 1937, tem elementos art déco e é feita de aço pintado de laranja. Mas a ponte pênsil com o maior vão do mundo é a Akashi-Kaikyo (Japão), 1,9 km de vão central (3,9 km de comprimento total), inaugurada em 1998.
Fonte: mapadaobra.com.br