08/10/2021
RISCO DE DESABASTECIMENTO DE FERTILIZANTES EM 2022 ABRE ESPAÇO PARA O MERCADO DE ADUBOS ORGÂNICOS.
Na última quinta-feira (07.10.2021), o presidente Jair Bolsonaro informou que há risco de desabastecimento de fertilizantes em 2022, em virtude de uma crise energética enfrentada pela China. Isto pode gerar sérios impactos à agricultura brasileira, com prováveis reflexos no preço dos alimentos. No entanto, é sabido que o Brasil tem vocação para a geração de biomassas e, de acordo com a Associação para Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA), são gerados cerca de 3 trilhões de toneladas de esterco nas diferentes modalidades da pecuária (bovina, suína e avícola). Soma-se a este montante outras centenas de milhões de toneladas geradas pela agricultura da cana-de-açúcar (palha, bagaço e vinhaça), arroz, milho, algodão, soja, resíduos urbanos e industriais... Em geral, essas biomassas têm sido encaradas como um problema a ser resolvido e não uma oportunidade a ser explorada e que, graças a biotecnologia, podem ser utilizadas para a produção de insumos químicos, energia e adubos. O agronegócio ainda não encarou suas biomassas residuais como fontes de solução de problemas e geração de receitas. Afinal, em tempos de bioeconomia, qualquer resíduo é moeda valiosa e, em momentos de crise, estas poderão representar um ambiente fértil de novas oportunidades. Enquanto as grandes empresas subestimam suas biomassas, startups encontraram no mercado de gardens e hortas urbanas nichos dispostos a pagar caro pelo kilograma do adubo orgânico. Empresas como “Bosta em Lata”, “Vitamina Terrestre”, “Dimy” e outras... estão no foco de investidores que reconhecem o potencial econômico que os produtos/insumos orgânicos apresentam. Para o grande agronegócio, as quantidades talvez não sejam o suficiente para atender toda demanda, mas, certamente, a provável crise de desabastecimento pode ser suavizada com o devido uso das biomassas residuais para adubação do campo.