30/01/2026
Pesquisa e texto adaptado:
Carlos Ayres,
Presidente do CARJ.
A animação artística abaixo, exibe HD 137010 b, um exoplaneta da categoria "Terra fria", detectado orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância.
Ele é apenas um pouco maior que a Terra (cerca de 6%) e tem uma órbita de duração quase igual. Está na periferia da zona habitável da estrela e é ainda mais frio que Marte.
O telescópio espacial Kepler da NASA, dedicado à busca de exoplanetas, encerrou sua missão em 2018, mas sua contribuição para a ciência dos exoplanetas continua. Ele gerou um enorme conjunto de dados, que os astrônomos ainda estão analisando.
Pesquisadores encontraram um novo candidato a exoplaneta nos dados do Kepler, chamado HD 137010 b, que orbita uma estrela semelhante ao Sol a quase 150 anos-luz de distância. O novo exoplaneta é apenas ligeiramente maior que a Terra (cerca de 6%) e sua órbita tem aproximadamente quase o mesmo comprimento que 9 nosso planeta.
HD 137010 b está um pouco mais perto de sua estrela do que a Terra está do Sol, mas a estrela é uma anã K, portanto, é menor e menos luminosa. Isso significa que o planeta recebe cerca de um terço do calor e da luz que a Terra recebe, apesar de estar perto de sua estrela. HD 137010 b está próximo da borda externa da zona habitável da estrela, sendo, portanto, muito frio.
Uma nova pesquisa publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters apresenta a descoberta. O artigo se intitula "Um candidato a planeta frio do tamanho da Terra transitando por uma anã K de décima magnitude de K2" e o autor principal é Alexander Venner.
Venner foi aluno de doutorado no Centro de Astrofísica da Universidade do Sul de Queensland, na Austrália 🇦🇺
O exoplaneta está gerando interesse não apenas por ser semelhante à Terra e orbitar uma estrela similar ao Sol, mas também por representar um potencial marco na busca por exoplanetas. HD 137010 b é um candidato por enquanto, mas, se sua existência for confirmada, poderá ser a primeira detecção de um mundo semelhante à Terra por meio de um único trânsito.
"O método de trânsito é atualmente um dos nossos melhores meios para a detecção de exoplanetas potencialmente habitáveis, semelhantes à Terra", escrevem os pesquisadores. "Em princípio, com precisão fotométrica suficientemente alta, exoplanetas frios do tamanho da Terra orbitando estrelas semelhantes ao Sol, poderiam ser descobertos por meio de detecções de trânsito único; no entanto, isso ainda não foi alcançado."
Um único trânsito precisa ter altíssima qualidade para gerar a confirmação de um exoplaneta. Este, segundo os autores, foi relativamente raso e apresentou "precisão fotométrica excepcionalmente alta".
"Nossa análise da fotometria do K2, das observações de imagens históricas e novas, e das velocidades radiais e astrometria de arquivo, indica fortemente que o evento foi astrofísico, ocorreu no alvo e pode ser melhor explicado por um planeta candidato em trânsito, que designamos como HD 137010 b", explicam os pesquisadores.
O próprio planeta recebe menos fluxo solar do que Marte. Sua temperatura de equilíbrio, que ocorre quando a radiação incidente se iguala à radiação emitida, situa-se entre -68°C e -85°C. Isso levanta questões sobre sua posição no sistema solar e se ele poderia estar na zona habitável.
"Portanto, parece provável que HD 137010 b esteja entre os planetas em trânsito do tamanho da Terra mais frios já descobertos orbitando uma estrela semelhante ao Sol, e estamos motivados a considerar se HD 137010 b se encontra na zona habitável", escrevem os pesquisadores.
As temperaturas de equilíbrio estimadas sugerem que não há água líquida, mas sem saber qual atmosfera o planeta possa ter, a água líquida não pode ser completamente descartada.
A equipe determinou que, dependendo do modelo de trânsito utilizado, HD 137010 b está dentro dos limites conservadores e otimistas da zona habitável em 40% e 51% do tempo, respectivamente. Por outro lado, há 50% de chance de que esteja além da zona habitável.
Uma atmosfera rica em CO2 poderia fornecer o calor necessário para a existência de água líquida, e isso é pelo menos possível, segundo os autores. "No entanto, um cenário alternativo plausível é que a superfície de HD 137010 b esteja congelada (um clima 'bola de neve')", explicam eles.
"HD 137010 b é um exemplo excepcional de um planeta do tamanho da Terra orbitando a borda externa da zona habitável de uma estrela brilhante semelhante ao Sol", explicam os autores. Crédito da imagem: Venner et al. 2026. ApJL*
No que diz respeito ao método de trânsito, um exoplaneta é confirmado quando observamos dois ou três trânsitos. Embora este trânsito único seja excepcionalmente forte, ainda é apenas um trânsito isolado.
Os astrônomos precisam de mais dados antes que HD 137010 b possa ser confirmado. O telescópio TESS da NASA, sucessor do Kepler, ainda está operando, apesar de ter entrado brevemente em modo de segurança neste mês. Com um pouco de sorte, poderá detectar outro trânsito e fornecer a confirmação. Ou talvez o CHEOPS (Satélite de Caracterização de Exoplanetas) da ESA pudesse fazer isso.
Um dos problemas é a natureza semelhante à da Terra do exoplaneta. Com uma órbita que leva cerca de um ano terrestre, teremos que esperar muito tempo até que HD 137010 b transite sua estrela novamente.
Mas mesmo sem dados de trânsitos adicionais, os pesquisadores estão bastante confiantes de que a hipótese será confirmada eventualmente.
Nenhuma outra explicação se encaixa tão bem nos dados do trânsito. Embora tenham apenas um único trânsito para trabalhar, dados de outras fontes, como HARPS e Hipparcos-Gaia, bem como algumas imagens de arquivo e novas imagens do Telescópio Gemini Sul, reforçam a detecção.
"Por meio de uma análise detalhada das observações disponíveis de HD 137010, excluímos todas as hipóteses convencionais para o evento de trânsito, exceto a de um exoplaneta em trânsito; no entanto, a confirmação da hipótese planetária exigirá a observação de um segundo trânsito ou outra forma de detecção adicional", explicam os pesquisadores.
" Os principais fatores que poderiam invalidar a detecção são estrelas de fundo ou estrelas companheiras, e nenhuma delas está presente.
"Em resumo, constatamos que não há evidências de fontes de fundo ou estrelas companheiras, que pudessem ter interferido ou contaminado a fotometria do K2", concluem os autores.
Fonte: Instituto :
Universidade do Sul de Queensland, Harvard e Oxford 🇦🇺
Link para o site:
https://www.unisq.edu.au/news/2026/01/earth-meets-mars