19/11/2025
CIENTISTAS CRIAM "CHAVE" PARA ENCONTRAR VIDA ALIENÍGENA NAS NUVENS
📷 Conceito artístico de um exoplaneta nublado semelhante à Terra com biota colorida nas nuvens. Crédito: Adam B. Langeveld/Instituto Carl Sagan. Adaptado da NASA/Ames/JPL-Caltech
♦ Um exoplaneta completamente ou densamente coberto por nuvens poderia ajudar os astrônomos em sua busca por sinais de vida além da Terra.
Céus nublados podem estragar um piquenique ou bloquear a visão das estrelas através de um telescópio, mas camadas espessas de nuvens em mundos distantes podem, na verdade, ajudar os cientistas a procurar vida além da Terra.
Uma equipe da Universidade Cornell produziu os primeiros espectros de refletância (um guia codificado por cores) para uma variedade de microrganismos de cores vívidas que habitam as nuvens atmosféricas da Terra. Não se sabe se micróbios semelhantes existem em outras partes do universo ou em concentrações suficientemente altas para que telescópios possam ser detectadas; na Terra, eles não estão presentes em números tão grandes.
No entanto, esse novo guia colorido agora oferece aos astrônomos uma ferramenta que podem usar ao escanear outros planetas, transformando a camada de nuvens de um exoplaneta, junto com sua superfície e atmosfera, em um local importante para buscar possíveis sinais de vida.
"Existe uma comunidade vibrante de microrganismos em nossa atmosfera que produzem biopigmentos coloridos, que fascinam biólogos há anos", disse a astrobióloga Ligia Coelho, pesquisadora do Instituto Carl Sagan.
🔹 VIDA COLORIDA NOS CÉUS
Coelho liderou o estudo "Cores da Vida nas Nuvens: Biopigmentos de Microrganismos Atmosféricos como uma Nova Assinatura para Detectar Vida em Planetas como a Terra", que foi recentemente publicado na revista Astrophysical Journal Letters.
"Encontrar vida colorida na atmosfera da Terra abriu uma possibilidade completamente nova para encontrar vida em outros planetas", disse Lisa Kaltenegger, professora de astronomia e diretora do Instituto Carl Sagan, que é a segunda autora do estudo. "Agora, temos a chance de descobrir vida mesmo que o céu esteja cheio de nuvens nos exoplanetas. Achávamos que as nuvens esconderiam vida de nós, mas, surpreendentemente, elas poderiam nos ajudar a encontrar vida."
Ela explicou que os espectros recém-criados permitirão que astrônomos busquem bioassinaturas em exoplanetas cobertos por nuvens espessas, incluindo aqueles com cobertura total de nuvens.
Os microrganismos usados para desenvolver esses espectros são incomuns na atmosfera terrestre e exigem métodos cuidadosos para serem obtidos. Coelho colaborou com pesquisadores da Universidade da Flórida, que lançaram um balão sonda de látex para coletar material biológico da estratosfera inferior em altitudes entre 21 e 29 quilômetros acima da superfície da Terra.
Coelho cultivou as culturas com equipamentos e expertise de Stephen Zinder, professor emérito de microbiologia na Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida, bolsista do CSI. Ela então analisou seus espectros reflexivos no laboratório de outro bolsista da CSI, Bill Philpot, professor de engenharia civil e ambiental na Cornell Engineering.
🔹 O QUE OS PIGMENTOS REVELAM SOBRE A VIDA
Coelho observou que simplesmente ter esses espectros bacterianos oferece aos cientistas uma nova abordagem para identificar possíveis formas de vida em outros lugares. Os padrões de cores também contêm pistas adicionais. Eles revelam as condições ambientais que os microrganismos enfrentam, já que os pigmentos ajudam a proteger os organismos vivos de perigos como radiação, secura extrema ou temperaturas muito quentes e frias. Muitos organismos, incluindo bactérias, criam pigmentos para se proteger da luz ultravioleta, o que é essencial para a sobrevivência em grandes altitudes na atmosfera terrestre, disse Coelho.
Ao modelar possíveis extremos, os pesquisadores determinaram que um planeta nublado com bactérias coloridas espalhadas em suas nuvens pareceria significativamente diferente de um planeta sem elas, dando às bactérias coloridas o potencial de serem uma bioassinatura detectável.
Para prosperar em uma densidade alta o suficiente para que observadores pudessem encontrá-los, os micróbios precisariam viver em planetas com condições úmidas. E a tecnologia dos telescópios também terá que se atualizar. Saber que podemos procurar vida em mundos nublados está informando o design de futuros telescópios, incluindo o Observatório de Mundos Habitáveis da NASA, baseado no espaço, que está em desenvolvimento, e estratégias de observação para o Telescópio Extremamente Grande do Observatório Europeu do Sul, que está em construção no Chile e está programado para iniciar observações científicas na década de 2030.
"Biopigmentos têm um caráter universal em nosso planeta. Eles nos dão ferramentas para combater estresses como radiação, secura e falta de recursos. Nós os produzimos, assim como bactérias, arqueias, algas, plantas e outros animais", disse Coelho. "Eles são bioassinaturas poderosas e descobrimos uma nova forma de procurá-los – através das nuvens de mundos distantes. E se a vida é assim, finalmente temos as ferramentas para reconhecê-la."
🔹REFERÊNCIA: "Cores da Vida nas Nuvens: Biopigmentos de Microrganismos Atmosféricos como uma Nova Assinatura para Detectar Vida em Planetas como a Terra" por Lígia F. Coelho, Lisa Kaltenegger, William Philpot, Adam J. Ellington, Noelle Bryan, Stephen Zinder e Brent C. Christner, 11 de novembro de 2025, The Astrophysical Journal Letters.
DOI: 10.3847/2041-8213/ae129a
🌏 Créditos/fonte/Publicação: Por Cornell-University- Universidade Cornell , 16 de novembro de 2025
--------------------------------------------------------------------------
♦ Blogs & Grupos: