08/10/2017
Pilotos comuns sejam de aviões, helicópteros ou balão tem o recurso de propulsão ou potência fazendo com que eles facilmente em último caso possam utilizar tais recursos a fim de retirá-los de situações de perigo. Comparativamente e a título de exemplo, uma aeronave ao fazer uma aproximação em uma pista, se depara com um carro estacionado na mesma, o piloto tem a decisão de dar potência, arremeter e tentar uma nova aproximação, isto já não ocorre com o planador, na mesma situação o piloto não tem a propulsão e a saída dele será tomar uma decisão imediata a fim de evitar o incidente, a fim de dar uma solução rápida e efetiva que venha salvar a vida dele e a do alvo que está na pista a sua frente, para isso ele não tem a escolha de arremetida e muito menos a escolha de não pousar, terá de pôr em prática tudo que ele aprendeu e agir em segundos.
A bagagem que o voo a vela proporciona é de grande importância visto que uma aeronave a propulsão quando perde a capacidade de se sustentar em voo (perda de motor) tem a equivalência de um planador pois ele não perde a capacidade de continuar o voo apenas muda-se a forma de operação da aeronave sendo agora um voo planado. Com isso o piloto vai ter que pensar e agir como um piloto de voo a vela e isso se torna bem mais fácil quando o piloto é treinado em planador e já possui essa experiência.
Nas primeiras missões de piloto privado de planador, segundo o manual de instruções do Piloto de Planador da FAA, são explicadas as manobras e emergências que podem ocorrer em uma decolagem, como fazer recuperações em caso de estol e uma série de panes que o piloto privado de avião dificilmente conseguirá ver pois estas são manobras especificas e de fácil consecução no planador e que havendo dedicação por parte do interessado, o estudo e a prática podem realmente fazer a diferença na formação do piloto privado de avião.
Ao começar o curso de piloto privado de avião, o aluno não começa realizando um voo em “ala”, ou seja, não começa voando com outro avião ao lado, já no voo a vela desde a primeira missão, o planador é rebocado por uma aeronave a motor (no Brasil geralmente é o Aero Boero 180 Hp), onde é necessário o cuidado no manuseio das manobras e na controlabilidade da aeronave, já que as duas aeronaves são unidas por um cabo e a decolagem é feita pelo que chamamos de Aerotow, ou seja, reboque.
O planador sai do chão primeiro que o rebocador, tendo as influências maiores do vento e das forças da física, já que a aeronave rebocadora tem asa menor e necessitará de uma corrida de decolagem mais longa, já neste ponto o piloto do planador deve exercer maior precisão e controlabilidade sobre a aeronave. As decisões e controles aplicados pelo piloto do planador influenciarão diretamente na controlabilidade e estabilidade do rebocador, já que o planador possui maior sustentação e asas maiores do que o avião rebocador. Além disso, avião rebocador e planador se comunicam através de sinais específicos criados a fim de evitar incidentes ou maiores riscos a operação do voo a vela. Abaixo, algumas figuras ilustrativas a fim de demonstrar etapas dessa decolagem e também algumas explicações acerca dos sinais e manobras do Aerotow ou Reboque.
O piloto de avião voa e depois pensa, o piloto de planador pensa para poder voar....
Pense nisso.....