17/07/2026
Em dezembro de 1973, uma geada mudou o rumo da minha família no Paraná.
Meu pai tinha 23 anos quando veio para São Paulo com os pais e os irmãos, sem plano B, apenas com coragem. O primeiro emprego foi na Samar Turismo, lavando ônibus. Acordava de madrugada para ser o primeiro da fila e escolher os veículos menos sujos. O registro em carteira, de maio de 1974, ele guarda até hoje.
Depois vieram a Ciban, Anteus, Clopan, Esmel, Jorge Lago, Esquadrias Bambi, Cerri e, em 1981, a Util Art. Cada empresa ensinou um pouco do que ele levaria para o próprio negócio.
Em 1980, casou-se com a minha mãe, Neide, que passou a fazer parte dessa caminhada. Em 1984, nasceu a Belmonte. Os pedidos eram anotados em cadernos, as ligações atendidas no orelhão da esquina e minha mãe atravessava a cidade como office-girl para resolver o que fosse preciso.
Vieram sociedades desfeitas, dificuldades financeiras, a crise da era Collor e muitos desafios. A empresa voltou para os fundos da própria casa e, em 2010, chegou ao primeiro galpão no Jardim Rincão.
Foi dessa trajetória que nasceu a estrutura de hoje.
Em 2012, deixei a indústria farmacêutica para trabalhar ao lado dele. Em 2022, Juliana assumiu as esquadrias de alumínio. Em 2023, Débora passou a liderar a fabricação de ferro.
Hoje somos quatro sócios e um fundador que já não participa da operação diária, mas continua presente. Toda semana ele aparece, percorre a fábrica, pergunta das operações e acompanha de perto o que construímos.
Hoje são 3.000 m², dois galpões especializados, cerca de 100 pessoas e centenas de prédios erguidos em São Paulo.
Tudo isso começou com um jovem de 23 anos que aceitou lavar ônibus porque era a oportunidade que existia.
Amanhã, a Belmonte vai contar o próximo capítulo dessa história.
Mas antes, eu precisava contar este.