12/12/2024
Nós raramente nos damos conta do impacto negativo que a má circulação de ar pode ter na nossa saúde. Ambientes com ventilação ineficiente podem agravar problemas respiratórios e comprometer o bem-estar de todos.
Há um ano, fui contratado para participar do desenvolvimento de um equipamento chamado "Árvore Líquida". Este sistema de purificação do ar foi inspirado na função das árvores na natureza e combina biotecnologia com engenharia ambiental para capturar dióxido de carbono (CO₂) e liberar oxigênio (O₂), simulando o processo natural de fotossíntese. Minha contribuição para o projeto incluiu a execução do design de construção e o desenvolvimento do sistema de monitoramento, que avalia e exibe a eficiência do equipamento na retenção de CO₂.
Recentemente, fomos convidados a apresentar a Árvore Líquida em um fórum, onde ocorreram palestras sobre ESG e temas correlatos. O evento reuniu cerca de 50 participantes, em sua maioria representantes de administrações públicas ou organizadores de grandes eventos. Como de costume, levei equipamentos de teste e sensores extras para qualquer eventualidade. Foi então que tive a ideia de usar meu módulo de teste de sensores de CO₂ para medir a qualidade do ar dentro do auditório durante as palestras.
Atualmente, o ar que respiramos contém, em média, 420 a 460 partes por milhão (ppm) de CO₂. Um nível de até 600 ppm é considerado saudável. Por se tratar de um ambiente fechado, estimei que a concentração de CO₂ no auditório poderia alcançar 800 ppm. No entanto, fiquei surpreso ao verificar que os níveis atingiram aproximadamente 2.400 ppm – um valor preocupante para a saúde.
Esse dado evidenciou a ineficiência do sistema de ventilação no local e me levou a refletir:
1. Quantos teatros, cinemas, salas de aula e outros ambientes compartilham o mesmo problema?
2. Quais critérios são utilizados para avaliar a eficiência dos sistemas de ventilação no combate a problemas respiratórios?
3. Em locais com alta circulação de pessoas, como hospitais, prefeituras e rodoviárias, qual é a real qualidade do ar?
4. Por que não há mais investimento público e privado em sistemas de ventilação eficientes, considerando que isso poderia reduzir drasticamente os casos de doenças respiratórias, aliviar a sobrecarga nos hospitais e diminuir a ausência de trabalhadores?
Com minha experiência, acredito firmemente na importância de implementar sistemas de monitoramento da qualidade do ar que possibilitem ações rápidas e eficazes para melhorar as condições em ambientes fechados ou com alta circulação de pessoas. Essa medida teria um impacto direto na redução de problemas respiratórios, além de promover a saúde e a produtividade. Investir em tecnologias que forneçam indicadores precisos da qualidade do ar, bem como em equipamentos eficientes de renovação e circulação, é um passo indispensável para construir um futuro mais saudável.