24/11/2025
A Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, ganhou um catálogo inédito que reúne plantas secas decorativas comercializadas na região — um território marcado por campos rupestres, biodiversidade única e comunidades tradicionais que dependem desses ecossistemas. Produzida pelo Instituto de Biociências da USP e pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), a publicação aproxima ciência, gestão ambiental e cultura local.
O material integra o Plano de Ação Territorial (PAT) Espinhaço Mineiro, que busca conservar espécies ameaçadas e, ao mesmo tempo, gerar renda por meio da bioeconomia regional. Segundo Gabriela Brito, coordenadora do PAT, o catálogo amplia o olhar sobre o uso sustentável das espécies, especialmente das sempre-vivas, muito valorizadas no artesanato e na decoração.
Com mais de 105 mil km², o território do PAT atravessa Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, abrangendo 24 espécies criticamente ameaçadas e influenciando positivamente outras 1.787 espécies vulneráveis. O plano foi construído com diversos atores — de pesquisadores a comunidades locais — para proteger habitats, sociobiodiversidade e serviços ecossistêmicos essenciais.
O catálogo também destaca o crescimento do mercado de plantas secas no Brasil. Antes dominado pelos Estados Unidos e Europa, hoje esse comércio se equilibra entre mercado interno e externo, impulsionado pela busca por alternativas mais sustentáveis às flores frescas, que demandam alta energia, insumos e embalagens descartáveis.
Mas os autores alertam: o extrativismo, transporte e comércio precisam seguir a legislação ambiental. Por isso, o catálogo identifica espécies pelo nome científico, verifica se estão em listas de ameaça e orienta a coleta legal — garantindo conservação e renda.
A pesquisa incluiu visitas a galpões de Diamantina e Contagem, levantamento fotográfico, classificação botânica e análise de origem (nativas, cultivadas ou exóticas). As espécies estão organizadas por grupos como angiospermas, líquens, musgos, samambaias e licófitas.
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