02/01/2026
Antes de discutir quanto investir, é preciso entender quando e como se investiu.
Nos posts anteriores eu trouxe dados sobre funcionamento do abastecimento, perdas de água, consumo per capita, reservação e, por fim, receitas e despesas. A partir disso, muita gente perguntou:
“Mas, ao longo dos anos, quanto foi investido no sistema?”
Para responder a isso, usei os dados oficiais do SNIS (até 2022) e do SINISA (2023), olhando especif**amente os investimentos em abastecimento de água.
Antes de entrar nos números, um esclarecimento importante:
no caso de Tambaú, o prestador do serviço é o próprio município, por meio do DEMAET. Por isso, somei os investimentos declarados como feitos pelo “prestador” e pelo “município”, pois, na prática, tratam-se da mesma fonte de decisão e execução.
Feito esse ajuste, o padrão histórico f**a bastante claro.
Ao longo dos últimos anos, os investimentos realizados diretamente pelo município/prestador foram baixos e irregulares, normalmente na casa de dezenas ou poucas centenas de milhares de reais, concentrados em alguns anos específicos. Em vários outros anos, não há registro de investimento relevante.
Mesmo em 2023, quando houve investimento municipal registrado (cerca de R$ 83 mil), o valor é pequeno quando comparado:
ao volume de recursos movimentado pelo serviço no ano;
às perdas operacionais já apresentadas;
e à magnitude dos problemas estruturais do sistema.
Já os investimentos realizados pelo Estado aparecem em poucos anos, mas quando aparecem, vêm em valores elevados, da ordem de centenas de milhares ou até mais de um milhão de reais. Esse padrão é típico de convênios e programas pontuais: importantes, mas que não se repetem de forma contínua.
O que não aparece na série histórica é um padrão consistente de investimento ao longo do tempo. Não há uma sequência de anos com reforço gradual da infraestrutura, ampliação contínua da reservação ou redução estrutural de perdas. O que se observa são aportes pontuais, intercalados por longos períodos sem investimento signif**ativo.
Quando a gente cruza esse histórico com os dados já apresentados nos posts anteriores, o desenho começa a fazer sentido:
o sistema opera com perda