16/03/2026
CALIBRE (. 40 S&W) – HISTÓRICO
O calibre .40 surgiu nos Estados Unidos da América por reivindicação do FBI. O calibre usual daquela força policial era o 9mm Luger, que se tornou famoso na Segunda Guerra Mundial, com o uso maciço das forças armadas de diversos países, por acreditarem no seu grande poder de penetração.
CASO REAL MOTIVA TROCA DE MUNIÇÃO PELOFBI
No final dos anos 1980, em uma perseguição policial, o FBI usava a 9mm em um confronto com dois marginais. Durante confronto armado, os agressores foram transfixados pelos disparos dos policiais diversas vezes, contudo não foram postos fora de combate. Depois da intensa troca de tiros, a munição de alguns policiais do FBI teria acabado. Outros policiais, feridos, estavam fora de combate. Entretanto, os marginais agressores, mesmo baleados, antes de morrer conseguiram pôr toda a equipe do FBI fora do combate e dois policiais vieram a óbito.
Depois deste triste episódio, no qual policiais foram mortos em combate, percebeu-se a forte necessidade de uma arma policial. Assim, a fábrica norte americana Smith & Wesson ficou incumbida, por contrato com o FBI, de encontrar esse calibre policial.
A ORIGEM DA MUNIÇÃO . 40S&W É ANTERIOR À CRIAÇÃO DA PI***LA .40S&W
O objetivo da Smith & Wesson era criar um calibre que tivesse o melhor Stopping Power (poder de parada) sem, contudo, haver muito recuo da pi***la que atrapalhasse a visada para o segundo tiro. O que isso queria dizer? O calibre deveria parar o oponente, se possível, com um único disparo. E se precisasse de um segundo disparo, a arma não poderia sofrer muito balanço na mão do policial, a fim de que ele acertasse o oponente no mesmo local onde mirara anteriormente.
O calibre "10 mm Auto" tinha essa característica policial de Stopping Power. Contudo, devido ao forte recuo, no segundo tiro o policial geralmente não garantia a precisão necessária. Assim a Smith & Wesson criou uma variação da "10 mm Auto", com menor recuo e que conseguia os mesmos índices de perfuração: 12 polegadas de gelatina balística. A peculiaridade acrescentada na ".40SW" foi que, antes de alcançar as 12 polegadas de perfuração da gelatina balística, o projétil teria que perfurar uma superfície de vidro fino, que costuma provocar desvios e atrapalhar a trajetória dos projéteis. Assim foi criada a ".40SW", o calibre policial utilizado pela maior parte das polícias do Brasil.
Sabe-se que, no Brasil, a primeira polícia a utilizar como calibre padrão a ".40S&W" foi a Polícia Rodoviária Federal, em 1998. Depois disso, quase todas as polícias estaduais adotaram-no como padrão.
No Brasil, houve muita resistência para que o calibre entrasse no país, sendo para participantes de tiro esportivo, aos quais sempre foi permitido. O calibre "9 mm Luger "e "357 Magnum" eram permitidos para Polícia Federal e a "45" somente para Forças Armadas. Assim, permitir o calibre ".40SW", que é superior ao "9mm" e intermediário entre o "357 Magnum" e o "45" teria que advir de uma comoção nacional.
O calibre ".40 S&W", lançado comercialmente em 1990, foi concebido a partir do cartucho calibre "10 mm Auto". Assim que este último calibre foi deixado de lado pelo FBI, a Smith & Wesson iniciou as pesquisas, que resultaram no desenvolvimento do calibre (.40).
Estatísticas norte-americanas apontam o calibre ".40 S&W" como a das mais efetivas munições para defesa, com o seu Stopping Power chegando a 96%, superando o calibre 45, historicamente conhecido como o mais eficaz. O calibre ".40 S&W" pode ser considerado uma munição que ainda se encontra na sua "infância" em termos de mercado, pois foi lançada há pouco mais de dez anos.
Uma das vantagens reconhecidas nesse poderoso calibre é o Stopping Power, termo que teve origem no final do século XIX para expressar a capacidade de um determinado projétil em neutralizar um agressor, pondo-o fora de combate, sem necessariamente matá-lo. Ao contrário do calibre "380 ACP", a ".40" amplia o poder destrutivo em tecido humano, causando hemorragias e um efeito psicológico tremendo no alvo.
Essa munição foi testada em bovinos vivos e em cadáveres humanos, registrando-se os efeitos observados. Nos cadáveres, suspensos no ar, eram observados a capacidade dos projéteis de fraturar ossos e de transferir energia, mostrada pela oscilação dos corpos pendentes. Nos animais, pretendiam ver o poder de incapacitação proporcionado pelos diferentes calibres. Pelos resultados desse teste, verificou-se que o calibre ".40 S&W" apresenta um desempenho excelente, superior a qualquer coisa alcançada pelos antigos calibres permitidos no Brasil (".38 SPL" e ".380 ACP") e até por algumas munições "9 mm" e ".45 ACP".