31/10/2026
FUNAE apresenta oportunidades de investimento em projectos de energia fora da rede ao empresariado de Nampula
Nampula – O Fundo de Energia (FUNAE) desafia o sector empresarial da província de Nampula a participar activamente na implementação dos projectos de energia fora da rede, através de investimentos, fornecimento de bens e prestação de serviços, tendo em conta a previsão de instalação de cerca de 48 centrais de energia na região.
O desafio foi lançado pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) do FUNAE, Mety Gondola, durante um encontro com representantes do sector privado, realizado para apresentar as oportunidades de investimento no âmbito dos projectos de electrificação previstos para a província.
Segundo Gondola, os concursos públicos para a implementação das infra-estruturas deverão ser lançados entre Fevereiro e Março, pelo que apelou aos empresários para aproveitarem o tempo disponível na organização das suas empresas, constituição de associações e estabelecimento de parcerias que reforcem a capacidade de concorrer.
O dirigente destacou que a conjugação de experiência técnica, capacidade financeira e conhecimento da realidade local constitui um factor determinante para o acesso às oportunidades, defendendo, por isso, a união de esforços entre empresas locais e o estabelecimento de parcerias com operadores nacionais e estrangeiros.
Gondola explicou que as oportunidades de negócio não se limitam à construção das centrais, abrangendo igualmente o fornecimento de materiais, como pedra, areia, cabos eléctricos e transformadores, bem como a prestação de serviços de consultoria e elaboração de estudos de impacto ambiental.
Neste contexto, recomendou aos potenciais fornecedores que se familiarizem antecipadamente com os padrões técnicos e os requisitos documentais exigidos nos concursos, de modo a evitar a exclusão de propostas por incumprimento das condições estabelecidas.
Por sua vez, o Governador de Nampula, Eduardo Abdula, defendeu que a expansão do acesso à energia deve ser acompanhada de iniciativas que promovam o desenvolvimento económico das comunidades beneficiárias.
Entre as oportunidades que poderão ser impulsionadas pela electrificação, o governante apontou a conservação do pescado, o processamento de produtos agrícolas, a instalação de pequenas unidades industriais e a expansão de negócios, sublinhando que o aproveitamento produtivo da electricidade é fundamental para maximizar o impacto dos investimentos.
Abdula manifestou o interesse do Governo Provincial em assegurar o envolvimento das empresas locais como fornecedoras de bens e serviços, empreiteiras e parceiras na execução dos projectos.
Para o efeito, defendeu a replicação de experiências de consórcios já desenvolvidas na província, particularmente no sector de estradas, através do estabelecimento de parcerias entre empresas locais e operadores nacionais e internacionais, permitindo reforçar a sua capacidade de concorrer em condições de igualdade.
O Conselho Executivo Provincial manifestou, igualmente, disponibilidade para colaborar na identificação de prioridades, articulação com os distritos e acompanhamento da implementação dos projectos, incluindo a identificação de espaços adequados e com documentação regularizada para a instalação das infra-estruturas.
Entretanto, o representante do Conselho Empresarial de Nampula, Shakeel Janmahomed, defendeu que os investimentos no sector energético devem ser encarados como uma oportunidade para dinamizar toda a cadeia de valor da economia, desde a produção agrícola até à transformação e comercialização.
Segundo Janmahomed, a electrificação das comunidades só produzirá benefícios duradouros se estiver associada ao desenvolvimento de actividades produtivas, capazes de gerar emprego e rendimento para as populações.
O Conselho Empresarial defendeu, neste contexto, o reforço da participação das empresas locais nos projectos previstos pelo FUNAE, considerando que estas devem ser envolvidas não apenas como beneficiárias ou anfitriãs dos investimentos, mas também como fornecedoras de bens e serviços e parceiras na execução das obras.
A organização apontou ainda a necessidade de criação de mecanismos de financiamento acessíveis, que permitam às empresas locais reunir capacidade financeira para responder às exigências dos concursos públicos e participar em condições de igualdade, evitando que as limitações de recursos constituam um obstáculo ao seu envolvimento nos projectos.
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