24/04/2026
Conversámos com Manuel Esteves Loureiro, produtor de Fermelã, cuja ligação à bovinicultura vem de família. Cresceu no setor leiteiro, atividade que os seus pais desenvolveram durante vários anos, mas acabou por optar pela raça Marinhoa, adaptando a exploração à sua realidade e disponibilidade.
A decisão de deixar o setor leiteiro prendeu-se com as exigências de mão de obra, tempo e trabalho, difíceis de conciliar com a sua atividade profissional na Câmara Municipal de Estarreja. Atualmente, a produção de leite mantém-se na família, sendo assegurada pela mãe, enquanto Manuel se voltou para à criação de Marinhoas.
Há cerca de duas décadas que se dedica a esta raça, lembrando que na altura era conhecida como “a vaca amarela”, a vaca do trabalho. Hoje conta com um efetivo de 17 Marinhoas, que acompanha diariamente.
O maneio é feito com visitas diárias ao campo para alimentação e controlo dos animais. Manuel destaca a relação próxima que cria com as vacas, que reconhecem a sua presença e respondem ao seu chamamento, um reflexo do contacto diário e do cuidado dedicado.
Mais do que uma atividade económica, a criação de Marinhoas é, para si, uma paixão. Assume-se como um defensor da raça, valorizando o seu papel como património rural e alertando para a necessidade de continuidade geracional, num setor onde os produtores são cada vez menos e mais envelhecidos.
A sua história mostra que a bovinicultura, e em particular a raça Marinhoa, continua a viver graças ao empenho de produtores que, todos os dias, mantêm viva a tradição com dedicação e orgulho.