28/07/2026
Obrigada a Viver Ossela por esta entrevista 🙏🏼
MÃOS & OFÍCIOS · RENOV’LAR — CONSTRUIR UMA VIDA, REGRESSAR À TERRA
A Renov’Lar nasceu de uma construção que começou muito antes de existir uma empresa com esse nome. Começou quando Pedro e Anabela se encontraram em França, dentro do mesmo mundo de obras, horários exigentes, equipas grandes e dias longos. Continuou na vida que foram construindo juntos. E ganhou forma concreta quando decidiram regressar a Portugal, recuperar em Ossela a casa onde queriam f**ar e trazer consigo um ofício já amadurecido por muitos anos de trabalho.
A estrutura portuguesa da Renov’Lar foi criada em 2026, mas a história não começa agora. A empresa já existia em França há cerca de dois anos e o projeto vinha a ser pensado havia aproximadamente cinco. Desde cedo, a ideia foi essa: trabalhar, criar condições e preparar um regresso que não fosse apenas a mudança de um país para outro, mas a construção de uma nova etapa com bases próprias.
Pedro é de Ossela. A família está cá, a ligação à terra nunca desapareceu e o lugar onde hoje vivem vinha também dessa raiz familiar: um terreno da avó, com uma casa antiga que precisava de ser reconstruída. Anabela é de uma família de Melgaço, embora tenha nascido e crescido em França. Também ela conhece bem essa vida repartida entre o país onde se cresce e aquele a que a família continua a chamar casa.
Quando decidiram avançar, já tinham também um filho pequeno. Havia receios, assuntos para resolver e uma vida inteira montada em França. Anabela admite que não se sentia totalmente preparada quando Pedro disse que, depois do verão, queria regressar definitivamente em novembro. Mas havia decisões que já levavam demasiado tempo a ser adiadas.
Como Pedro resumiu durante a conversa, há coisas que não podem f**ar eternamente para o ano seguinte. Porque o tempo passa — e, às vezes, aquilo que falta não é pensar mais: é decidir.
Nos primeiros meses em Portugal, ainda conseguiram manter atividade ligada à empresa francesa. Mais tarde, em abril, fecharam essa etapa e transferiram definitivamente o projeto para cá. Nascia assim a Renov’Lar portuguesa, mas não nascia sem passado. Trazia experiência, método e uma história profissional construída por ambos.
Pedro trabalhou durante 17 anos numa grande empresa do setor da construção em França. Quando três diretores saíram para criar uma nova estrutura, também ela de grande dimensão, levaram-no consigo como um dos primeiros trabalhadores. Anabela fez igualmente o seu percurso em empresas da área: permaneceu sete anos numa delas e, mais tarde, juntou-se à empresa onde Pedro já trabalhava.
Foi também no trabalho que se conheceram.
Antes de construírem uma empresa em conjunto, Pedro e Anabela começaram por construir uma relação dentro do mesmo ofício. Conheceram-se entre obras, responsabilidades, horários e exigências profissionais. Primeiro trabalharam para outros. Depois começaram a pensar no que poderiam fazer por si próprios. E, aos poucos, aquilo que já partilhavam enquanto experiência transformou-se também num projeto comum.
Na Renov’Lar, essa complementaridade continua muito presente. Pedro está sobretudo na obra, no contacto direto com o trabalho e com o cliente. Anabela assume grande parte da área administrativa: burocracia, organização, contabilidade e acompanhamento do que permite que a empresa funcione para lá daquilo que se vê no terreno. Não são duas partes isoladas. São duas frentes da mesma casa.
E “casa” é precisamente uma palavra importante nesta história.
O nome Renov’Lar nasceu dos dois e encerra aquilo que pretendem fazer: renovar o lar. Não apenas uma construção ou uma divisão, mas o espaço onde alguém vive. Pode ser uma casa, um apartamento, uma casa de banho, uma cozinha, um telhado, um anexo ou uma zona que precisa de voltar a servir a vida de quem a habita.
A empresa pode assumir trabalhos de construção nova, mas o seu centro está sobretudo na renovação, remodelação e recuperação. E talvez não seja por acaso. Porque, antes de regressarem definitivamente e antes de a empresa se instalar em Portugal, Pedro e Anabela viveram esse processo dentro da própria casa.
A casa onde hoje moram é, por isso, uma das obras que melhor os apresenta.
Não foi apenas comprada, entregue a terceiros e recebida pronta. Pedro e Anabela participaram ativamente na sua reconstrução. Trabalharam nas canalizações, no telhado, nos pilares, na pedra, nas escadas, nas portas, nos exteriores e em várias outras fases da obra. Muitas férias passadas em Portugal foram, na realidade, dias de trabalho. Houve invernos passados entre máquinas e pedra, noites em que ainda continuavam a avançar e momentos em que fizeram diretamente aquilo que estava ao alcance deles, deixando depois outros profissionais concluir as fases que o tempo não lhes permitia terminar.
A casa foi crescendo ao mesmo tempo que crescia a decisão de regressar.
E há uma diferença importante: nunca a pensaram como uma casa de férias, fechada durante grande parte do ano e usada apenas de passagem. O esforço só lhes fazia sentido se fosse para viver. Se estavam a investir tempo, dinheiro e trabalho naquele lugar, então seria ali que acabariam por construir o futuro.
Hoje, cada parte daquela casa guarda também um pedaço desse percurso. Não é um catálogo montado para mostrar serviços. É um lugar vivido, onde o trabalho deles ficou incorporado nas paredes, nas estruturas e nas escolhas que fizeram.
Foi também nessa reconstrução que se cruzaram profissionalmente com outra empresa de Ossela: os Dukes.
Na altura, a empresa estava ainda a dar os primeiros passos. Pedro e Anabela precisavam de apoio em vários acabamentos e encontraram nos Dukes disponibilidade para ouvir, aceitar desafios e experimentar soluções que nem sempre faziam parte do trabalho mais habitual. Pedro reconheceu neles uma mentalidade aberta. Anabela trazia ideias muito concretas para a casa e, mesmo quando essas ideias davam mais trabalho ou obrigavam a procurar formas diferentes de executar, houve vontade de tentar.
Nem tudo era conhecido à partida. Houve trabalhos que os Dukes ainda não tinham realizado e que aceitaram aprender a fazer, acompanhados pelas indicações de Pedro e Anabela. Em vez de esse desconhecimento servir para fechar a porta, serviu para procurar soluções. E, quando conseguiam, havia também um orgulho partilhado no resultado.
A relação profissional foi ganhando confiança, respeito e uma proximidade que ultrapassou a simples relação entre cliente e prestador de serviço.
Quando a obra se aproximava do final, havia um objetivo muito concreto: conseguir ter a cozinha pronta antes do Natal. Pedro acreditava que era possível. Os Dukes duvidavam que conseguissem cumprir aquele prazo. Foi então lançado o desafio: se terminassem a tempo, receberiam um andor de cerveja.
A cozinha ficou montada no dia 24 de dezembro.
E o andor apareceu mesmo.
Pedro e Anabela prepararam-no, com as cervejas colocadas à volta e uma figura feita pela própria Anabela. Os Dukes trouxeram-no até à casa, e foi ali que fizeram a primeira refeição naquele espaço acabado de concluir.
É uma história contada com muito riso, mas que diz bastante sobre todos os que nela participaram. Fala de exigência, mas também de incentivo. De um objetivo cumprido, mas também da alegria de o celebrar em conjunto. E mostra que duas empresas da mesma freguesia, dentro da mesma área profissional, podem cruzar-se com respeito, partilhar conhecimento e ajudar-se a crescer sem precisarem de olhar uma para a outra como concorrentes.
A forma como Pedro e Anabela acompanharam essa obra diz também muito sobre a forma como hoje encaram os seus próprios clientes. Sabem o que é estar do outro lado. Sabem o que é esperar, precisar de respostas, querer uma escolha respeitada e sentir que quem executa não está apenas a aplicar aquilo que sempre fez, ignorando o que foi pedido.
Essa experiência junta-se ao método profissional que trouxeram de França.
Pedro passou por obras de grande escala, incluindo projetos de reabilitação com centenas de apartamentos, onde várias frentes decorriam em simultâneo e em que um atraso numa tarefa comprometia todas as seguintes. Os horários tinham de ser cumpridos. As equipas tinham de estar coordenadas. Quando uma intervenção estava marcada para determinada hora, essa hora não era uma indicação vaga.
Foi assim que aprenderam a trabalhar. E é essa organização que procuram agora manter em Portugal.
Na Renov’Lar, quando Pedro assume uma remodelação, procura acompanhar a obra do início ao fim. Numa casa de banho, por exemplo, pode tratar da pichelaria, da eletricidade, do pladur, da pintura, do assentamento da cerâmica e da colocação das loiças. Entra com uma obra por fazer e procura sair apenas quando está pronta.
Para o cliente, isto signif**a não f**ar dependente de uma sucessão de profissionais diferentes, em que cada um espera pelo anterior e em que o atraso de uma pessoa empurra todas as restantes. Signif**a ter uma responsabilidade mais concentrada, maior continuidade e um interlocutor que conhece o trabalho completo.
Pedro explica que uma casa de banho pode, em condições normais, f**ar pronta em cerca de 15 dias. Durante esse período, a regra é permanecer naquela obra até à conclusão. Só uma urgência ou uma situação excecional — como a falta de um material da responsabilidade do cliente — justif**a interromper temporariamente o trabalho.
Aquilo que para eles parece apenas a forma normal de cumprir tem provocado surpresa em alguns clientes.
Surpresa por Pedro chegar antes da hora combinada. Por começar no dia marcado. Por não abandonar uma obra a meio para iniciar outra. Por respeitar o prazo indicado. Uma cliente chegou mesmo a dizer que, só por o ver no local antes das oito da manhã, já sentia que o valor pago estava a ser respeitado.
É precisamente desta experiência que começa a nascer o nome da Renov’Lar.
Grande parte dos novos trabalhos chega através de recomendações. Um cliente chama, f**a satisfeito e passa o contacto a um familiar, que por sua vez o entrega a outra pessoa. Uma casa de banho levou a outra, depois a uma cunhada, depois a uma empregada. Uma intervenção urgente num condomínio deu origem a um novo pedido no mesmo prédio e abriu caminho a outros contactos.
Também há quem chegue pelo Facebook, quem veja a carrinha estacionada e pergunte diretamente se fazem determinado serviço ou quem guarde o contacto depois de ver um trabalho realizado. Mas o crescimento mais signif**ativo está a acontecer através do passa-palavra. E, numa área em que a confiança pesa tanto, poucas formas de divulgação são tão fortes como um cliente disposto a recomendar quem entrou em sua casa.
A escolha dos materiais faz igualmente parte dessa responsabilidade.
Há elementos estéticos — como cerâmicas, cores, loiças ou acabamentos — que Pedro prefere deixar à escolha do cliente. É a pessoa que vai viver com aquela decisão todos os dias e o gosto deve ser respeitado. Quando alguém tem dificuldade em deslocar-se ou pretende uma solução mais simples, a empresa pode apresentar opções, fotografias, referências e preços.
Já nos materiais técnicos, a postura é mais exigente. Cimentos, colas e outros produtos essenciais à qualidade e durabilidade do trabalho são, regra geral, escolhidos pela Renov’Lar. Pedro prefere aplicar aquilo que conhece e em que confia. Se perceber que um material escolhido não oferece condições para garantir um bom resultado, explica ao cliente porquê e propõe outra solução.
Não se trata de impor a opção mais cara. Trata-se de não aceitar executar um trabalho com um produto que possa comprometer a qualidade final e colocar depois em causa o nome de quem o aplicou.
Tudo é definido no orçamento: o que f**a a cargo do cliente, o que é fornecido pela empresa e quais as responsabilidades de cada parte. Essa clareza ajuda a evitar mal-entendidos e permite que a obra comece com as decisões essenciais já tomadas.
Atualmente, a Renov’Lar conta com quatro pessoas. Pedro acompanha a vertente técnica e o trabalho em obra; Anabela assegura sobretudo a área administrativa, burocrática e contabilística; e a equipa operacional foi recentemente reforçada com a entrada de mais um trabalhador.
O crescimento, porém, não está a ser feito à pressa.
Pedro diz que gosta de ter os pés firmes na terra. Em menos de um ano de atividade em Portugal, a equipa já cresceu, mas isso não signif**a que queira aumentar sem medir as consequências. Para ele, contratar alguém não é apenas responder ao volume de trabalho de hoje. É assumir responsabilidade pela vida de uma pessoa que precisa daquele emprego amanhã.
Não quer contratar num momento de maior procura para, pouco tempo depois, ter de mandar alguém embora. Prefere avançar por etapas, assegurar que existe estrutura e só depois subir mais um degrau.
Esse cuidado mostra que a responsabilidade que aplica às obras também se estende à empresa e às pessoas que nela trabalham.
A Renov’Lar está ainda a construir o seu percurso em Portugal, mas não está a começar sem experiência. Traz muitos anos de ofício, uma forma de trabalhar construída em ambientes exigentes, uma casa onde esse conhecimento foi aplicado e uma relação profissional e pessoal que nasceu precisamente dentro deste setor.
Pedro diz que não tem uma estratégia para convencer clientes. Quando visita uma obra, não prepara um discurso de venda. Observa, explica o que precisa de ser feito, diz por que razão determinada solução funciona ou não funciona e, quando algo não pertence à sua competência, assume-o e recomenda quem possa avaliar melhor.
Talvez seja essa a apresentação mais fiel da Renov’Lar.
Uma empresa que não quer convencer através de promessas, mas através da forma como olha para uma obra, da clareza com que fala, do cuidado com que escolhe, do prazo que procura cumprir e do trabalho que deixa para trás.
A vida de Pedro e Anabela foi-se construindo entre dois países, muitas obras e uma vontade antiga de regressar. Hoje, esse regresso tem casa, tem família, tem equipa e tem nome.
Chama-se Renov'Lar
Este artigo nasceu de uma conversa presencial com Pedro e Anabela, da Renov’Lar, no âmbito da rúbrica Mãos & Ofícios do projeto comunitário Viver Ossela. Obrigada pela forma aberta como receberam esta conversa, pela partilha do percurso, pelas histórias e pela confiança com que nos deixaram entrar não apenas no trabalho que desenvolvem, mas também na vida que foram construindo em torno dele.
Para conhecer melhor o trabalho da Renov’Lar, pedir informações ou solicitar um orçamento, pode contactar a empresa através do número 911 049 711, ou acompanhar os trabalhos já realizados na página de Facebook:
https://www.facebook.com/RenovLarOssela
A empresa está sediada em Ossela, Oliveira de Azeméis.