02/07/2025
Construir em Portugal: Porque está cada vez mais caro? As 3 principais causas.
Está a pensar construir ou reabilitar? Então é provável que já se tenha apercebido de uma realidade incontornável: os custos de construção em Portugal têm vindo a aumentar significativamente nos últimos anos. Em 2022, por exemplo, o custo médio para construir habitação sofreu um aumento de 23% face ao ano anterior. Mas o que está por detrás desta escalada de preços?
Analisamos as três principais causas que explicam este fenómeno.
1. O Custo da Mão de Obra: Um Fator Decisivo 📈
Não é segredo que a mão de obra é um dos pilares de qualquer projeto de construção. Nos últimos anos, este tem sido o fator com maior impacto no aumento dos custos totais. A principal razão está ligada à valorização salarial, incluindo a subida do Salário Mínimo Nacional, que em janeiro de 2025 foi fixado em 870€.
Este aumento, essencial para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, reflete-se diretamente nos orçamentos das obras. Dados recentes do INE mostram que, enquanto o preço dos materiais chegou a descer, o custo com a mão de obra continuou a registar subidas acentuadas, na ordem dos 8,6% em termos homólogos no final de 2024.
2. Preço dos Materiais: Volatilidade e Aumentos Pontuais 🧱
Após um período de alguma estabilização e até descida, o preço dos materiais de construção voltou a dar sinais de subida no final de 2024. Materiais essenciais como betumes, cimento, betão pronto e produtos energéticos registaram aumentos significativos.
Embora alguns materiais como a madeira e o aço tenham sofrido descidas de preço, a tendência geral, impulsionada pela inflação e pela dinâmica do mercado global, contribui para a incerteza e para o agravamento dos custos finais de construção.
3. Nova Legislação: Mais Qualidade, Mais Custo📜
A construção moderna já não se foca apenas na estética ou na funcionalidade. Hoje, a segurança, a sustentabilidade e o conforto são exigências legais. A implementação de nova legislação, alinhada com normas europeias, veio trazer mais qualidade e segurança ao edificado, mas também um acréscimo nos custos.
- Estrutura (Eurocódigos): A adoção dos Eurocódigos Estruturais, que uniformizam as regras de projeto a nível europeu, veio introduzir novas exigências de segurança e de dimensionamento. Embora um estudo de 2016 indicasse que a transição para estas normas teria um impacto inferior a 1,5% no custo total da construção, a sua aplicação, especialmente em zonas de maior risco sísmico, pode exigir mais aço e outros materiais, influenciando o orçamento.
- Eficiência Energética e Térmica: As diretivas europeias, transpostas para a legislação nacional, obrigam a que os edifícios novos ou reabilitados cumpram requisitos de eficiência energética cada vez mais rigorosos. Isto traduz-se na necessidade de usar mais e melhores materiais de isolamento, caixilharias mais eficientes e sistemas de climatização e ventilação mais avançados, com um impacto direto no custo.
- Acústica e Outras Normas: A par da térmica, os requisitos acústicos, de segurança contra incêndios e de acessibilidades também se tornaram mais exigentes, obrigando à utilização de soluções construtivas e materiais específicos que acrescentam valor, mas também custo ao projeto.
Conclusão em Números: Uma Variação de 15 Anos
Para colocar o aumento em perspetiva, vamos comparar os custos entre 2010 e 2025.Se olharmos para os valores de referência de mercado, a diferença é notória.
Em 2010, o valor médio de avaliação bancária na construção rondava os 1.131 €/m². Em 2025, o custo médio real de construção situa-se em torno dos 1.500 €/m².Isto representa um aumento de aproximadamente 33% em 15 anos.
Este número finaliza a imagem: construir em Portugal hoje não é apenas uma questão de lidar com a inflação corrente, mas sim o resultado de uma valorização estrutural e contínua dos custos ao longo da última década e meia, impulsionada por uma mão de obra mais valorizada, materiais mais caros e, crucialmente, por uma maior exigência na qualidade, segurança e sustentabilidade do edificado.