11/08/2026
IVAR celebra uma década como unidade orgânica de investigação da Universidade dos Açores
O Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) celebra no dia 11 de agosto de 2016 o seu 10.º aniversário como unidade orgânica de investigação e desenvolvimento da Universidade dos Açores. O IVAR, na sua atual configuração, derivou do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG), constituído estatutariamente em 1997, e resultou do sonho de sete investigadores do Departamento de Geociências em implementar nos Açores um centro para o estudo de fenómenos vulcânicos e outros riscos geológicos.
O reconhecimento do IVAR como unidade orgânica da Universidade dos Açores assinala não só a relevância do instituto para a missão e concretização da Academia açoriana, como também promove as relações interdepartamentais e institucionais, reconhecendo a importância de existir uma estrutura de quadros próprios na Universidade dos Açores com investigadores, docentes e técnicos que cumpram com os objetivos e missão do instituto.
10 anos de investigação e desenvolvimento
Os últimos 10 anos marcam não só a consolidação da investigação científ**a, pela produção de conhecimento de excelência, reforçando também a ligação entre a ciência e a sociedade. As recentes avaliações como instituto de excelência no domínio das Ciências da Terra, atribuídas por painéis internacionais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), reiteram a qualidade dos trabalhos desenvolvidos e a importância estratégica que o IVAR tem, e deverá continuar a ter para a Universidade dos Açores.
O IVAR recorre a uma abordagem pluridisciplinar para estudar fenómenos vulcânicos e avaliar outros riscos naturais. Para esta missão, o IVAR conta atualmente com sete unidades científ**as complementares, nomeadamente a unidades de Vulcanologia Física e Magmatismo, Neotectónica e Deformação Crustal, Geoquímica de Gases, Hidrogeologia e Geologia Ambiental, Movimentos de Vertente e Cheias, Geologia Médica, Riscos e Planeamento de Emergência. Ao longo da última década o IVAR coordenou e participou em numerosos projetos científicos e serviços de relevância regional, nacional e internacional, envolvendo equipas multidisciplinares e redes de colaboração com universidades, centros de investigação e entidades públicas e privadas. Estes projetos têm incidido em áreas como a monitorização da atividade vulcânica e sísmica, avaliação e mitigação de riscos naturais, geotermia, biodiversidade, alterações climáticas, qualidade ambiental, tecnologias de observação da Terra e gestão sustentável dos recursos naturais. Os resultados alcançados refletem-se numa produção científ**a consistente, na captação de financiamento competitivo, na formação de novos investigadores e na disponibilização de conhecimento técnico e científico que apoia a tomada de decisão por parte das entidades responsáveis pela proteção civil, ordenamento do território e gestão ambiental.
Colaborações
A localização geostratégica dos Açores reúne condições de excelência como laboratório natural para o desenvolvimento e a promoção das Ciências da Terra e do Espaço. Nestas condições, o IVAR conta atualmente com cerca de 70 elementos, associados essencialmente à Universidade dos Açores, à Fundação Gaspar Frutuoso, e ao Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA). Na sua missão o IVAR integra diversas redes e consórcios, nacionais e internacionais, e mantém estreitas relações institucionais com outros centros ligados ao estudo das Ciências da Terra, designadamente, de Itália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Islândia, Reino Unido, entre outros. A participação ativa dos investigadores do IVAR na erupção vulcânica que afetou a ilha de La Palma (Canárias) em 2021 revela um exemplo de colaborações internacionais pré-estabelecidas. A última década foi também marcada pela colaboração do IVAR com o CIVISA em termos de parcerias científ**as aquando das crises sismovulcânicas que afetaram os Açores, destacando-se os exemplos das crises nas ilhas de São Jorge e Terceira.
A pandemia COVID-19 também condicionou algumas das atividades do IVAR, essencialmente em termos de realização de missões e trabalhos de campo. Na última década os elementos do IVAR também tiveram de reinventar, tal como toda a sociedade, estratégias para manter a investigação em curso. Com esses momentos de crise o IVAR evoluiu, mas f**a a convicção da importância de se manter no arquipélago dos Açores um instituto de referência para o estudo de fenómenos geológicos e a possibilidade de responder com recursos próprios.
A formação
Em termos de ensino, o IVAR colabora em licenciaturas, mestrados e doutoramentos lecionados por outras unidades orgânicas de ensino e investigação da Universidade dos Açores. Exemplos dessas colaborações são a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Na última década, o IVAR contribuiu para o desenvolvimento de dezenas de teses de mestrados, disponibilizado a utilização dos laboratórios e equipamentos científicos, nomeadamente para os mestrados em Vulcanologia e Riscos Geológicos, Geologia do Ambiente e Sociedade e Ambiente Saúde e Segurança. O IVAR promoveu, ainda, a realização de cerca de 15 teses de doutoramentos nos últimos 10 anos, reforçando a importância do instituto em formar quadros qualif**ados nos Açores. Desde 2017 que o IVAR conta com um programa de estágios reconhecido pela Universidade dos Açores, a Academia IVAR, e que já recebeu 80 estagiários de 23 nacionalidades. Para além destes estágios, o IVAR promove ainda uma Escola de Verão sobre perigos geológicos em ilhas vulcânicas, tendo em julho de 2026 ocorrido a 6ª Edição do evento que contou com 22 participantes de 11 nacionalidades.
Relação com a Sociedade
Na relação com a Sociedade, o IVAR, em parceria com o CIVISA, recebe anualmente nas suas instalações mais de 2000 mil visitantes, essencialmente de estabelecimentos de ensino regionais, nacionais e estrangeiros. Para além de um portal web e da partilha de notícias nas redes sociais, desde 2017 o IVAR promove anualmente o evento “Noite Europeia dos Vulcões”, o qual recebe na Universidade dos Açores cerca de 150 participantes de várias faixas etárias e que pretende partilhar com a sociedade civil os conhecimentos desenvolvidos na Universidade dos Açores em termos de vulcanologia e riscos. Para além da participação presencial, tem havido apresentações online de forma a possibilitar a participação remota. O próximo evento está programado para a noite de 9 de outubro de 2026.
O futuro
A atual diretora do IVAR, Fátima Viveiros, refere alguns desafios que o IVAR enfrenta para a próxima década, e que se prendem com a necessidade de se reforçarem contratações de recursos humanos qualif**ados no âmbito da Universidade dos Açores que permitam manter as linhas de investigação em curso e desenvolver novas áreas de ação para responder aos constantes desafios societais. A existência de linhas de financiamento estáveis e estruturadas para permitir planif**ações consistentes e a longo prazo constitui outra preocupação, para além da necessidade de acompanhar o desenvolvimento tecnológicos, na era da inteligência artificial e da deteção remota, condicionadas pelas oportunidades de financiamento e existência de recursos humanos qualif**ados.
Estes dez anos do IVAR representam, segundo a diretora, muito mais do que um marco cronológico. Constituem o testemunho do crescimento de uma instituição que continuamente se esforça para se afirmar como um centro de referência na investigação em vulcanologia e riscos. A diretora reforça que o IVAR renova o seu compromisso com a excelência científ**a, a inovação e o serviço à sociedade. Sustentado pelo conhecimento, pela colaboração e pela dedicação das suas equipas, o IVAR continuará a afirmar-se como um parceiro estratégico na Universidade dos Açores, contribuindo para a produção de ciência de qualidade, para a formação das novas gerações de investigadores e para um futuro mais resiliente, sustentável e informado para os Açores.