22/10/2026
A edição genética pode transformar como produzimos alimentos. Investigadores no Japão usaram CRISPR para reduzir o composto que nos faz chorar ao cortar cebola.
Uma equipa de cientistas conseguiu diminuir a atividade do gene responsável pelo fator lacrimogéneo, o composto volátil libertado quando o tecido da cebola é cortado. O trabalho marca a primeira demonstração de edição genética direcionada a uma característica específica desta hortaliça através da tecnologia CRISPR/Cas9.
Os investigadores utilizaram células de cebola cultivadas em laboratório, transformadas pela bactéria Agrobacterium tumefaciens para introduzir os componentes necessários à edição. Um RNA-guia direcionou a ferramenta para o gene alvo, e uma proteína fluorescente ajudou a identificar as células modificadas. Após confirmarem as alterações moleculares, regeneraram plantas através de técnicas de cultura de tecidos.
As plantas editadas apresentaram menor atividade da enzima em folhas e bolbos comparadas ao controlo. Contudo, o estudo revela ainda obstáculos significativos: as plantas editadas mostraram alterações no crescimento e não produziram sementes, provavelmente relacionadas com o cultivo prolongado em laboratório.
Apesar dos desafios, esta prova de conceito abre perspetivas futuras. Melhorias nas técnicas de cultura e regeneração poderão permitir desenvolver variedades comerciais com características alimentares e funcionais aprimoradas.
Qual a sua perspetiva sobre a edição genética em horticultura?